Londrina – Foi-se o tempo em que os idosos apenas se deixavam fotografar por filhos e netos e iam parar em álbuns de família. Com a oficina de Arteterapia em Fotografia, realizada no Centro de Convivência da Pessoa Idosa CCI) da Zona Oeste de Londrina, a chamada Melhor Idade já está contando os dias para dominar técnicas básicas para a captura de imagens e montar seu próprio acervo de fotos.
Oferecido pela Secretaria Municipal do Idoso, em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), o curso é apenas uma das capacitações ministradas no CCI do Jardim Bandeirantes. Na estrutura, os idosos podem participar de oficinas de memória, teatro, orientações sobre direito e qualidade de vida, prevenção a acidentes de trânsito, danças, karaokê, pintura em tecido, entre outras atividades. Ao todo, 500 idosos são atendidos por mês na unidade. Na zona leste, trabalho semelhante é realizado com mais 300 pessoas no CCI do Jardim da Luz.
Foi com a vontade de tirar fotografias melhores que a aposentada Ana Oliveira, de 67 anos, se inscreveu na oficina de Arteterapia, logo que o curso foi anunciado. A prática, para ela, já é um hobby. "Gosto de registrar em fotos tudo o que eu faço, seja um café da tarde, um almoço ou mesmo andar por uma estrada. Acho que isso vai me ajudar muito", afirma. A colega de turma Maria Félix, de 65, também viu na oficina uma oportunidade para aprender técnicas que a auxiliem na tarefa e a façam acompanhar o que os mais jovens já fazem brincando em seus celulares. "Quero focar certo o que estou fotografando, não ‘cortar’ mais pescoço ou pé", comenta.
A primeira aula do grupo contou com a reprodução de uma gravura em papel sulfite, a fim de abrir a percepção dos participantes em relação às imagens e conduzi-los no exercício do olhar fotográfico e aguçamento dos sentidos. "Nosso objetivo é ajudá-los a fazer um resgate de sensações, memórias afetivas, e transformar isso em fotografia. Uma maçã, por exemplo, pode ser lembrada apenas como uma maçã num supermercado ou como algo que traga uma memória da infância", comenta a orientadora da atividade, a fotógrafa Camila Siqueroli de Lima, que é acadêmica de Artes Visuais da UEL.
Ao longo dos 15 encontros previstos, a turma vai aprender detalhes sobre o uso das máquinas fotográficas que estiverem em uso, como tempo de exposição do obturador, flash e zoom, técnicas de enquadramento e exemplos de trabalhos fotográficos, como o do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. A professora também vai orientar os idosos em sessões ao ar livre e organizar com a turma uma exposição das imagens feitas por eles. Há ainda a proposta de que os alunos façam um diário fotográfico, com o objetivo de capturar imagens que lhe interessem no dia a dia e preservar este tipo de memória.
Para a gerente de Articulação Comunitária da Secretaria do Idoso, Maria Ângela Santini, a oficina, apesar de ter a fotografia como produto final, busca ir além da teoria e técnica. "É uma atividade que trabalha com sentimentos, percepções, mexe com a autoestima dos alunos. Percebemos que amigos ou familiares não tem, muitas vezes, paciência para orientá-los. O curso tem todo um jeito para fazer isso", assinala.

INSCRIÇÕES ABERTAS
A primeira turma da oficina de Arteterapia em Fotografia segue até meados de junho. As aulas acontecem às quartas e sextas-feiras, das 8h às 10h. As máquinas fotográficas utilizadas são levadas pelos próprios alunos. Inicialmente, 10 vagas foram disponibilizadas. Interessados ainda podem fazer inscrições. Basta entrar em contato com a secretaria do CCI Oeste, que fica na Rua Serra Pedra Selada, 111, Jardim Bandeirantes, das 8h às 17h30. O telefone de contato é (43) 3347-8714.

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