Londrina - É com olhar voltado ao passado, mas com a perspectiva para o futuro que o Laboratório de Estudos Afro-brasileiros e Africanos (Leafro) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) vem contribuindo para a disseminação e valorização da cultura negra.
Idealizado a partir de um projeto de pesquisa desenvolvido em 2000 sobre relações raciais em Londrina, o Leafro só assumiu o posto de serviço, atendendo as demandas escolares e da sociedade civil, a partir de 2009. Desde então, o esforço principal tem sido para a aplicação da Lei Federal 10.369 de 2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira em escolas públicas e privadas.
"É fundamental que as escolas considerem o conteúdo e as contribuições dos vários povos. Nossa educação é eurocentrada até hoje. Como o conteúdo europeu é privilegiado, muitas vezes não estudamos ou conhecemos muito pouco da nossa realidade de América Latina e da própria sociologia brasileira", defende a fundadora e coordenadora do Leafro, Maria Nilza da Silva.
Nascida na Bahia, mas criada em São Paulo, Maria Nilza se tornou mestre, doutora e pós-doutora em Ciências Sociais. Mudou-se para Londrina em 1998 quando ingressou na UEL, atuando em sala de aula. Há pouco mais de um mês, assumiu a coordenação do Núcleo de Estudos Afro-asiáticos (NEAA) da instituição.
Seu trabalho é impulsionado pelo desejo de incitar a reflexão sobre o racismo na sociedade a fim de que os tipos de violência racial não se materializem e disseminar ações de combate. Para isso, uma equipe de professores e alunos se reúne a cada 15 dias para debater textos e ministrar palestras. Além disso, o Leafro está colhendo dados para um estudo sobre a história do negro em Londrina. Segundo a coordenadora, a previsão é que ele seja concluído até o início do ano que vem.
Recentemente, um encontro com agentes de Segurança Pública em Londrina abordou a questão da violência entre a população negra. Participaram 250 policiais militares e guardas municipais. O evento faz parte do Grupo de Trabalho de Combate ao Racismo, coordenado pelo promotor Paulo Tavares, pela parceria com o Ministério Público.
"A população negra é a mais vitimada por homicídios e sobretudo armas de fogo. É fato que existe uma violência muito grande contra a população negra por conta do racismo e isso se deve a uma série de elementos que existem desde os tempos de escravidão, mas que estão presentes até hoje", afirma.
Hoje é a vez dos profissionais da saúde participarem da conferência "Racismo e Saúde da População Negra", no Hospital Universitário (HU). De acordo com Maria Nilza "questões sociais e o próprio racismo leva essa população a ser vitimada e muitas vezes morrer. A expectativa de vida do negro é menor que a população branca e asiática. Existem alguns estudos que mostram que negros e também pobres não têm sua dor ou sintomas levados em consideração, por exemplo, em uma Unidade Básica de Saúde. Isso também é um reflexo do racismo e outras questões sociais", ressalta.

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