Passava um pouquinho das 15 horas, quando as portas da boate 2800 foram abertas, ontem, para um grupo animado de adolescentes e jovens, ansiosos para conhecer a casa. Por mais de duas horas eles dançaram, cantaram, riram, se encantaram com as luzes, curtiram a balada, como o fazem tantos outros jovens na mesma idade. E o objetivo era justamente este. No Dia Internacional da Síndrome de Down, professores e dirigentes da APSDown queriam dar a seus alunos um presente que deve ser para toda a vida: a inclusão. Ontem, portanto, foi apenas o começo. A ideia, daqui para a frente, é que o grupo passe a frequentar bares e boates no mesmo horário que os outros jovens, sempre acompanhados de profissionais da instituição.
''A busca da autonomia destes jovens é o que pauta o nosso trabalho. Eles têm os mesmos anseios, alegrias e frustrações que os outros. Por isso devem ter também os mesmos direitos, inclusive o direito à diversão'', argumentou a presidente da APSDown, Andréa Cazella, mãe de Nathália, de 19 anos, uma das que foram pela primeira vez à boate ontem. Além de promover a inclusão, a atividade teve a finalidade de estimular a autonomia dos adolescentes. ''Nós, pais de pessoas com Síndrome de Down, temos que tomar cuidado para não preteger excessivamente nossos filhos, porque temos uma 'desculpa' a mais para mimá-los. Precisamos acreditar na capacidade que eles têm'', completou Andréa.
A balada de ontem foi possível graças ao apoio de Sílvio Machado, gerente da 2800 e do Escritório Bar, que promoveu a matinê especialmente para o grupo. ''Já fui frei franciscano e minha opção sempre foi trabalhar com crianças excepcionais. É muito importante integrá-las com as demais. Esta é a primeira de muitas outras parcerias que vamos fazer'', prometeu.
Valdenir Poli, diretora da APSDown, explicou que nos últimos três anos vários passeios foram promovidos, como idas a cinema, pizzaria, boliche, mas sempre nos horários em que estariam na instituição. ''Agora, nosso objetivo é sair com o grupo também à noite e nos finais de semana'', contou, lembrando que enquanto os jovens se divertem, os profissionais que os acompanham aproveitam para observar seus comportamentos em grupo. Ontem, cada um deles pôde levar um irmão ou amigo como acompanhante.
Carla Moreira, 18 anos, era uma das mais animadas. Não por acaso, foi a primeira a entrar na boate. De início, estranhou o ambiente: ''Que escuro!'', admirou-se, para logo se deixou contagiar pela batida da música. Durante o intervalo para o lanche ela permaneceu na pista, ainda ensaiando uns passinhos. ''Adorei tudo, a luz, a música, só achei um pouquinho escuro quando entrei'', admitiu a simpática Carla.
Lucas de Freitas Custódio Barbosa, 23 anos, só abandonou a pista para comer e beber com os amigos. ''Eu queria que tocasse funk, que eu adoro.'' Ao saber que dali alguns minutos teria a oportunidade de falar com o DJ, comemorou. Lucas, a exemplo dos cerca de 30 outros garotos e garotas, estava eufórico. E feliz, como deviam ser todas as tardes de domingo dos jovens.

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