PEL mantém laudo de agressão em sigilo
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segunda-feira, 07 de agosto de 2000
Érika Pelegrino De Londrina 
Saiu ontem o resultado do exame de lesões corporais pedido pela direção da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) ao Instituto Médico Legal (IML) com objetivo de comprovar se o detento Izaías Cordeiro da Silva foi realmente espancado por seis agentes penitenciários no último dia três. Porém, o conteúdo do laudo foi mantido em sigilo pelo diretor da PEL, Dyson Ferreira de Pinho, e pelo chefe do IML, Antônio Carlos Queiroz.
Dyson de Pinho disse à Folha que recebeu o laudo no final da tarde e encaminhou uma cópia ao juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto Ferreira do Valle, mas que não iria divulgar se foi caracterizado espancamento ou não. O juiz da VEP não foi localizado.
Ao ser questionado sobre o resultado do laudo, Queiroz disse que Dyson o proibiu de divulgar o resultado. Membros do Centro de Direitos Humanos (CDH) estiveram, ontem à tarde, durante uma hora e meia na PEL. Durante a visita, o advogado Jorge Custódio, do CDH, pegou uma declaração por escrito do preso Izaías Cordeiro da Silva na qual ele diz que estava no isolamento desde o dia 28 de julho, depois de uma briga com o detento Claudio Soares da Cunha.
Ele disse ainda que no dia três de agosto foi retirado da cela de isolamento por seis agentes penitenciários e espancado com um cassetete de madeira e chutes. O detento sofreu ferimentos na boca, cabeça, região toráxica, braços e pernas. O atendimento médico só foi realizado no dia seguinte, após visita de membros do CDH. Quando chegamos lá, na sexta-feira, ele ainda estava com o braço deslocado, a cela suja de sangue, afirmou Jorge Custódio.
Na declaração, o detento disse que não sabia porque foi agredido e identificou três dos agressores. Ainda em sua declaração, Izaías afirmou que foi torturado pelos agentes penitenciários. O advogado Jorge Custódio comentou, após a visita, que havia indícios de que realmente houve tortura.
O diretor da PEL não quis atender a imprensa, mas a reportagem da Folha falou com ele no pátio da PEL. Ele afirmou que recebeu ordens de Curitiba para não dar entrevistas, mas negou a prática de tortura na PEL. Na versão de Dyson de Pinho, os detentos Izaías da Silva e Claudio Soares da Cunha estavam incitando uma rebelião na PEL.
Izaías estava batendo na grade da cela e gritando quando os agentes o retiraram de lá, afirmou. Ele explicou que os dois foram transferidos da Penitenciária Central do Estado por estarem envolvidos na última rebelião que ocorreu naquele local, há 40 dias. Dyson de Pinho disse que o Departamento Penitenciário do Estado (Depen) deverá abrir inquérito administrativo.
Ontem à tarde havia informações de que o coordenador-geral do Depen, Lauro Luiz de César Valeixo, estaria hoje em Londrina. O CDH já encaminhou pedidos de providências ao promotor da VEP, Francisco Soares Dias Filho e ao juiz Roberto do Valle.
Vamos acompanhar o andamento, se for necessário iremos entrar com medidas judiciais, afirmou Jorge Custódio. Os dois detentos estão fazendo greve de fome há três dias e solicitam a presença do juiz Roberto do Valle. Os presos querem, segundo o advogado do CDH, que os agentes agressores sejam afastados ou que eles sejam transferidos para outra prisão.


