Peixes são mortos para evitar doenças
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de novembro de 2000
Adriana De Cunto De Londrina 
Uma grande quantidade de peixes, do tipo tilápia, está sendo retirada de uma lagoa de decantação da Estação de Tratamento de Esgoto Cafezal, da Sanepar, localizado na zona sul de Londrina. Eles estão sendo exterminados por medida de prevenção, já que moradores das proximidades estavam invadindo o local para apanhar os peixes e utilizá-los como alimento, ignorando as orientações de técnicos da Sanepar para os perigos que isso representa para a saúde.
A lagoa contém uma grande quantidade de coliformes fecais já que faz parte do sistema de tratamento de esgoto da Sanepar. Um técnico da empresa que não quis se idenficar explicou que a empresa não sabe como os peixes foram parar no local. Eles começaram a se reproduzir há uns sete meses.
Há cerca de uma semana a empresa decidiu exterminá-los, retirando os peixes da lagoa e enterrando-os em valas com cal para evitar o mau cheiro e contaminação. Dez pessoas estão trabalhando diariamente na retirada, que ainda deve durar uma semana, calcula o funcionário da Sanepar. Os técnicos utilizam roupas especiais porque precisam entrar dentro da lagoa para apanhar os peixes. O extermínio foi autorizado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), assegurou o funcionário.
Consultada ontem à tarde pela Folha, Angela Teresa Silva e Souza, doutora do Departamento de Biologia Animal e Vegetal da Universidade Estadual de Londrina (UEL), aprovou a iniciativa da Sanepar. Mesmo sem ter feito uma análise completa da situação, Angela Teresa diz que os peixes não são indicados para alimentação, já que vivem em uma lagoa de decantação. O problema não são só os coliformes fecais. Eles podem ter outros tipos de bactérias, explicou. Na opinião dela, a medida tomada pela empresa, de enterrar os peixes em valas com cal, está correta.


