Peixes invadem lagoa de tratamento
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quinta-feira, 08 de novembro de 2001
Sid Sauer<Br>De Campo Mourão 
A lagoa de polimento da Estação de Tratamento de Esgoto (Ete) do Jardim Santa Cruz, na Zona Norte de Campo Mourão, está cheia de peixes. Todos são de uma única espécie - tilápias - e chegam a pesar até um quilo. O aparecimento dos peixes na lagoa é um mistério e preocupa a Sanepar, uma vez que eles são impróprios para o consumo.
''Não sabemos como esses peixes vieram parar aí. Alguém deve ter colocado'', diz o gerente da Sanepar em Campo Mourão, Roberto Takashina. Uma análise nas tilápias que vivem na lagoa, feita a pedido da empresa, revelou que os peixes não apresentavam metais pesados, mas tinham um alto índice de coliformes fecais e bactérias, o que descarta o consumo.
Na lagoa de tratamento, que tem 5 mil metros quadrados, as tilápias se alimentam de algas e materiais orgânicos do esgoto. A preocupação da Sanepar é evitar a presença de pescadores no local, uma vez que a Ete fica perto de bairros residenciais. Não há vigias no local. A empresa que faz a vigilância monitorada já chegou a flagrar pescadores na lagoa.
Segundo Takashima, a presença dos peixes pode ser vista como um indicador de qualidade no tratamento do esgoto. ''Se o esgoto fosse mal tratado, esses peixes não sobreviveriam.'' Para evitar uma superpopulação de tilápias, a Sanepar vem fazendo retiradas frequentes e deve colocar na lagoa uma espécie de bagre que se alimenta de alevinos.
A Estação de Tratamento de Esgoto do Santa Cruz foi inaugurada há cinco anos e recebe os dejetos de metade da cidade. A outra metade vai para a estação do Jardim Tropical, onde não há peixes na lagoa. Hoje, 45% do perímetro urbano é atendido por rede de esgoto.


