Há um ano a família Biscaia vivia a emoção e a expectativa de receber em casa o garoto Pedro Henrique de Carvalho Biscaia, que passou quatro anos, seis meses e cinco dias vivendo em uma cama de hospital e cercado de aparelhos. Agora, comemoram as evoluções físicas e psicológicas do caçula da família. ''O Pedro Henrique apresentou uma rápida e significativa melhora desde que mudou para casa (no Jardim Continental, Zona Norte de Londrina). Já senta, fica em pé com o auxílio de aparelho, emite sons, possui maior percepção das coisas, cresceu e engordou (está com 18 quilos e 98 centímetros), além de quase não pegar pneumonia'', aponta a mãe, Marlei Cristina de Carvalho Biscaia.
Pedro Henrique nasceu em agosto de 2003 com problemas cardíacos e foi submetido a uma complicada cirurgia. Durante o procedimento apresentou insuficiência respiratória, que resultou em problemas neurológicos e, consequentemente, paralisia diafragmática (paralisia do músculo que separa a cavidade torácica da cavidade abdominal). Desde então, Pedro vivia na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), dependente de um respirador.
Graças a um moderno sistema, que permitiu a instalação de todo o suporte de uma UTI em sua casa (o respirador é utilizado por traqueostomia), o garoto pode acordar e dormir sob o olhar atento e carinhoso da família. ''Agora posso ficar 24 horas curtindo o meu filho. No Hospital Infantil não podia visitá-lo diariamente. Os irmãos - Vinícius e Gabriel - amam o Pedro Henrique de paixão e ajudam a cuidar dele'', comenta a mãe.
Além da família, Pedro fica sob os cuidados constantes de uma equipe de profissionais do Sistema de Atendimento Domiciliar (Dom) da Unimed. Quatro auxiliares de enfermagem revezam-se 24 horas por dia na residência. Ele também recebe diariamente a visita de duas fisioterapeutas e semanalmente de médicos.
Marlei conta que desde que chegou ao lar, o filho passou um longo período admirando a janela do quarto - há três anos preparado para recebê-lo. ''O bercinho ficava embaixo da janela e ele passava longas horas admirando o céu'', recorda. Pedro Henrique gosta de olhar para os ursinhos que decoram o cômodo e brincar com Stuart, o ratinho de pelúcia. A mãe confessa que o filho gosta de brincadeiras como cosquinhas, apertões e mordidas.
O garoto recebeu há pouco tempo liberação médica para passear. ''Damos algumas voltas pela vizinhança. Temos que ir com calma porque para ele tudo é novidade. Antes ele tinha medo até de sentar no chão'', afirma. Orgulhosa do progresso do filho que ela define como guerreiro, Marlei planeja escrever um livro contando a história de Pedro Henrique, e, esparançosa, assegura: ''um dia vocês ainda irão fotografá-lo caminhando''.

mockup