Pedrinho fica com mãe adotiva
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de novembro de 2002
Agência Estado 
Goiânia - Depois de 16 anos e nove meses de espera, os pais biológicos de Pedrinho, o menino sequestrado em um hospital em Brasília, reencontraram ontem o filho. ''Foi uma benção'', disse Maria Auxiliadora Rosalino Braule Pinto, que prefere ser chamada de Lia. Ela e o marido, Jayro Tapajós Braule Pinto, levaram de presente para o rapaz uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.
O bebê de um dia, que foi arrancado dos braços de Lia por uma falsa assistente social com a desculpa de que o levaria para fazer exames, agora é homem feito. ''Eu sou seu pai, viu?'', repetia Jayro no ouvido do rapaz, durante almoço em uma churrascaria em Goiânia com a família de Brasília e da mãe adotiva, Vilma Martins Costa. ''Eu sei, meu pai'', retribuiu Osvaldo Martins Borges Júnior, nome que recebeu da família de Goiás e que pretende manter, apesar de os pais biológicos lhe chamarem de Pedrinho.
Ele também afirmou que continuará morando em Goiânia, mas conviverá com as duas famílias. Sempre ao lado de Vilma, Júnior trocou vários abraços. Depois começaram a comentar as semelhanças físicas entre o garoto e seus pais biológicos. A orelha de abano e meio tortinha é uma das marcas de Júnior, que se parece com a mãe, mas também conserva traços e o jeito do pai. A mãe Vilma levou fotos do rapaz desde criança. A irmã de Lia, Dulcinéia Rosalino, garante que quando ele tinha dois anos de idade era idêntico à irmã Cristina, hoje com 19 anos, uma dos quatro filhos do casal Braule Pinto.
Júnior passou mais de três horas com a família de Brasília, que se deslocou até Goiânia em um microônibus. Na despedida, mais emoção. ''A gente não pode pegar e carregá-lo com a gente'', conforma-se Jayro, que agora só pensa em ser um ''amigo'' do filho. Lia ainda se ressentiu com os anos de separação e deixou Goiânia com a sensação de que perdia o filho mais uma vez. ''Não tenho ódio, só tenho amor no coração.'' Durante entrevista Júnior afirmou que visitaria os pais em Brasília, mas não marcou data.
O encontro de ontem só ocorreu depois de muita negociação, em que os pais biológicos se comprometeram a não acionar a mãe adotiva, que garante que não sabia da origem de Júnior. O caso será arquivado, pois o crime já prescreveu.


