Pedreiros contestam medida da Acesf
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quinta-feira, 21 de outubro de 2004
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Os pedreiros que trabalham nos cemitérios de Londrina temem que uma determinação da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), de não deixar materiais de construção de um dia para o outro próximo aos túmulos, inviabilize seu ganha-pão. Segundo eles não há como transportar diariamente materiais como areia, cimento e tijolos.
''Se eu tiver que construir cinco gavetas, por exemplo, vou gastar uns mil tijolos e levar em média cinco dias para terminar. Não tenho como trazer e levar todos os dias o material de trabalho para casa.'', argumenta o pedreiro Francisco da Costa Merquides, 65 anos. Ele trabalha há 43 anos no Cemitério São Pedro (Área Central) e diz que nunca foi preciso fazer isso. ''Moro no Jardim Califórnia (Zona Leste) e venho trabalhar de ônibus'', completou.
Elson Vicente Pereira, que há 15 anos faz serviços nos vários cemitérios da cidade, acha justo que se exija a limpeza do local ao final da obra, mas não diariamente. ''A gente trabalha por empreita, e não podemos ficar pagando carreto toda hora.''
O superintendente da Acesf, Sérgio Plínio, afirmou que a determinação é antiga, e foi tomada por causa das reclamações de famílias proprietárias de túmulos vizinhos aos que estão em obras. ''Recebemos muitas queixas da sujeira deixada pelo pessoal. Temos que adequar a necessidade dos pedreiros à dos outros usuários do cemitério'', argumentou.
De acordo com Plínio, a determinação não é para os pedreiros carregarem de volta diariamente o material restante, mas para levarem ao cemitério apenas a quantidade suficiente para o serviço do dia. ''Não temos locais para depósitos, e cada pedreiro tem noção do que vai usar no dia.'' Para realizar obras nos túmulos é preciso obter autorização da Administração, mediante pagamento de uma taxa, que varia, segundo Plínio, de acordo com o tamanho e tipo de serviço a ser realizado.


