O pedreiro Adão Ponciano de Lima, 44, é um especialista em construção de túmulos. Há oito anos, ele deixou de lado a construção de casas para se dedicar às obras no Cemitério Municipal São Judas Tadeu, em Campo Mourão. ‘‘Aqui nunca falta serviço’’, conta. Lima tem pelo menos uma história pitoresca para contar: construiu um túmulo no lugar errado. ‘‘Levei um prejuízo de R$ 260,00’’.
Lima achava que tinha concluído o serviço quando foi procurado por um membro da família do falecido para saber porque a obra não estava pronta. Só assim ele descobriu que tinha construído o túmulo na esquina errada. ‘‘Tive que comprar o material a prestação para fazer a sepultura certa’’, lembra. Lima ainda procurou a família do túmulo errado para tentar receber pelo serviço, mas descobriu que se tratava de um indigente.
‘‘Esse indigente deve ter sido uma pessoa muito bacana, que merecia um túmulo’’, consola-se o pedreiro. O túmulo feito em lugar errado tem ainda espaço para o enterro de mais uma pessoa. ‘‘Agora dá para colocar mais um indigente lᒒ, diz. Outro pedreiro especialista em túmulos, Joaquim Sabino, 63, que trabalha no cemitério há 27 anos, também já passou pelo constrangimento de construir na sepultura errada. Sabino, porém, teve melhor sorte. ‘‘Procurei a família, que gostou do serviço e acabei recebendo’’. (Sid Sauer)

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