Pedreiro é assassinado na Zona Norte
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terça-feira, 19 de abril de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A palavra ''droga'', quando aparece relacionada a um homicídio, pode tornar as pessoas insensíveis à morte do próximo. No momento em que se divulga que a vítima tinha algum tipo de envolvimento com drogas, seu assassinato passa a ser visto como inevitável e até mesmo, aos olhos de alguns cidadãos, justa.
Droga é a provável explicação para a morte por espancamento de Hélio Vieira de Souza, cujo corpo foi encontrado no final da manhã de ontem em um matagal no Jardim Moema, Zona Norte de Londrina. Mas há outras informações sobre este homem de 37 anos que podem abater a frieza pública diante do crime. Pedreiro há 20 anos, Souza era o terceiro de sete irmãos nascidos em Londrina. Solteiro, era ele quem sustentava a mãe de todos, dona Josemina, com quem residia no Jardim Paraíso (Zona Norte). ''Ele nunca teve uma única falta no trabalho'', contou a irmã, Maria José.
Os familiares de Souza foram os últimos a chegar ao local do crime, por volta do meio-dia de ontem, quando a polícia ainda não o havia identificado. Encontraram o corpo estirado num matagal, sob sol forte, já cercado de peritos criminais, policiais e jornalistas. Com a cabeça encostada no camburão da Polícia Militar (PM), Paulo, outro irmão da vítima, chorou. ''É ele mesmo. O corpo é dele.''
Segundo os parentes, o pedreiro estava desaparecido desde às 3 horas de ontem, quando saiu de casa com um amigo chamado Eduardo. ''Antes de sair, o Hélio me pediu R$ 10,00 emprestados. Um tempo depois, um cara passou de moto em frente de casa e gritou que tinham matado ele. Não sei quem era essa pessoa'', contou Paulo. A família procurou o amigo de Souza para questionar sobre seu paradeiro, mas não obteve nenhuma informação. ''O Eduardo nos disse que deixou meu irmão no Conjunto José Belinati, a pedido dele. Depois deu outra localização para a polícia. Sua explicação estava muito confusa'', ressaltou.
Com base em uma análises preliminares, o perito do Instituto de Criminalística (IC) Luiz Carlos Kovacs informou que Souza foi morto antes das 6 horas. ''Provavelmente usaram apenas força física para assassiná-lo. O corpo tinha marcas de espancamento nos olhos e pescoço'', afirmou.
Os irmãos admitem que o crime pode estar relacionado a dívidas de droga, mas garantem que Souza era somente usuário. ''Acho que fazia uns cinco anos que ele usava maconha. Mas nunca ficou alterado por causa disso. Era muito pacato, calado, saía pouco, pagava todas as contas da casa'', disse Paulo.
De acordo com ele, Souza passou uma vez pela prisão, depois que foi pego portando maconha no Estádio do Café. ''Isso é por causa de amizades que ele arranjou, com certeza. Piorou depois que o pai morreu (há dois anos)'', acrescentou Maria José. O pedreiro é a 55 pessoa assassinada na cidade em 2005.


