Pedreiro consegue livrar-se do álcool
Exausto após um dia de trabalho, o pedreiro volta para casa no fim da tarde em busca de descanso e da companhia da família. A rotina comum para tantos trabalhadores brasileiros é um pouco diferente no caso do servente Edson Aparecido Vicente, 28 anos. Em vez da mulher e filhos esperando em casa, ele divide uma república no Jardim Ana Rosa, em Cambé (13 km a oeste de Londrina). O rapaz, ex-morador de rua, é um dos três atendidos atualmente pela Comunidade Refúgio, mantida por uma organização não-governamental.
O caminho de Vicente até as ruas foi pavimentado pelo vício do álcool. Por causa da bebida, ele deixou a esposa e a filha e passou a vagar por Londrina. Chegou a ter problemas com a polícia, mas nunca foi preso. A chance de recuperação veio após passagens por outras entidades de recuperação de alcóolatras. Hoje é o cozinheiro oficial da república, além de participar intensamente das outras atividades da Refúgio. A casa é mantida, além de doações, pela venda de produtos de limpeza caseiros.
Foi um ano morando na rua. ''Meu medo agora é devido ao passado, para o que não aconteceu possa desestruturar o presente'', afirma Vicente. Ele está na casa há dez meses. Divide o trabalho doméstico com outros dois moradores. Toca pandeiro no grupo de louvor que faz reunião toda semana na Comunidade Refúgio, com participação de crianças do bairro. Enquanto leva a vida, tenta criar coragem para visitar a família, que mora na Zona Norte de Londrina. ''Eu abandonei a família. Penso em visitar, mas tenho medo'', diz.(F.R.F.)





