O pedreiro José Carlos Módulo, 43 anos, corria ontem o risco de se transformar em mais uma vítima fatal da crise de leitos de terapia intensiva disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Maringá. Até o final da tarde de ontem, Módulo, que sofreu traumatismo craniano, aguardava no Hospital Universitário de Maringá uma vaga em uma das UTIs de hospitais particulares da cidade conveniados ao SUS. O estado dele inspirava cuidados.
Módulo foi atropelado em Nossa Senhora das Graças no sábado, e até o final da tarde de ontem continuava aguardando uma vaga pública de UTI.
O secretário de Saúde do município de Nossa Senhora das Graças (a 126 quilômetros de Maringá), Roberto Inácio de Oliveira, disse ontem que nem a Promotoria Pública consegue solucionar o problema de falta de UTI pública nos hospitais da região. Desde sábado à noite ele disputava uma vaga para o pedreiro.
Oliveira disse que logo depois do acidente, quando conseguiu encaminhar Módulo para o HU de Maringá, passou a telefonar para hospitais de toda a região. ‘‘Consegui uma vaga de tratamento intensivo em um hospital de Presidente Prudente, mas na hora de embarcar o paciente surgiram problemas’’. Ele explica que a seguradora, exigida pelo hospital para garantir o seguro do veículo e do paciente, se negou a fazer a apólice.
O secretário acionou ontem de manhã a Promotoria Pública de Maringá. O órgão, no início do ano, tinha se prontificado a cobrar o internamento dos casos mais urgentes. Oliveira disse que conversou com um promotor identificado apenas por João, que alegou falta de condições para se envolver com o problema. ‘‘Ele disse que apenas neste final de semana foram 16 pacientes esperando vagas em UTI’’, conta. Neste ano, sete pacientes do SUS morreram à espera de vagas em UTIs na cidade.
O secretário denunciou ainda que dois hospitais de Maringá informaram que aceitam o paciente mediante o pagamento da internação. Ele preferiu não dizer quais são os hospitais. ‘‘Onde está a UTI móvel e o avião que o Lerner falou que ia deixar em Maringá? Não podemos aceitar que um trabalhador fique dois dias a espera de atendimento porque não tem dinheiro para se internar’’, desabafou.
Ontem de manhã, a paciente Heleida de Fátima Betranelo só conseguiu vaga na UTI da Santa Casa de Maringá depois de pagar o internamento. O marido dela, Vanderci Chineli, disse que a mulher sofreu um acidente no domingo de tarde, e ficou no HU até o meio-dia de ontem.
Leitos A Universidade Estadual de Maringá (UEM) publicou neste final de semana o edital do concurso para a contratação de profissionais para a UTI do HU, que já está montada. Serão contratadas 101 pessoas, 83 para o trabalho direto com pacientes e o restante para os serviços de apoio.
A direção do HU está tentando remanejar pessoal e convocar aprovados em outros concursos, possibilitando a ativação imediata das UTIs. Porém, por enquanto, não existe previsão de quando os 10 leitos começam a funcionar.

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