Pedreiro acusa médico por morte de mulher e filho
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sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Maurício Borges 
A morte da parturiente Ivone Neves Henriques, 39 anos, e de seu filho - que já estava com 9 meses de gestação -, ocorrida ontem no Hospital da Providência, em Apucarana, será investigada pela polícia. O inquérito foi instaurado após queixa registrada pelo pedreiro Isac Henriques, 43 anos, e será dirigido pelo delegado João Aquino de Almeida.
O laudo do exame cadavérico realizado pelo legista Angelo Hayashi, do Instituto Médico-Legal (IML), indica como causa da morte de Ivone edema agudo do pulmão e acidente vascular cerebral (do tipo hemorrágico) causado por eclampsia.
Segundo o legista, em geral, este tipo de problema é resultante de pressão alta, que pode provocar crise convulsiva, sangramento cerebral e outras consequências.
Hayashi disse ter estranhado o fato de, neste caso, o hospital não ter encaminhado ao IML junto com o cadáver, como é de praxe, um boletim contendo um histórico do que ocorreu no período de internamento.
Na queixa registrada na 17ª Subdivisão Policial, Isac Henriques acusou o médico obstetra José Ramon Sanches de negligência, revelando que sua esposa estava com dilatação desde o dia anterior, quando internou-se às 14 horas. Ela e a criança faleceram 15 horas depois disso, criticou Henriques, acrescentando que este seria o quarto filho do casal, e que os partos anteriores foram normais.
O delegado João Aquino de Almeida, designado para presidir o inquérito, aguardava ontem o laudo do IML e um boletim médico do Hospital da Providência, para investigar o caso. O médico José Ramon Sanches negou à Folha que tenha ocorrido negligência ou qualquer ato incorreto. Ela foi consultada na terça-feira e estava tudo normal; então pedi que fosse para o hospital a partir do momento que houvesse contrações, e isso já aconteceu no dia seguinte, relatou.
O obstetra disse que, apesar da pequena dilatação preferiu que a paciente permanecesse internada. Estive com a paciente por três vezes e apenas na noite de anteontem surgiu uma pequena alteração na pressão arterial, que foi resolvida com medicamento, afirmou.
Segundo o médico, às 5 horas da manhã de ontem, ele recebeu o chamado das enfermeiras para fazer o parto, porque já havia dilatação suficiente. Quando cheguei, a paciente já estava num estado crítico, com oxigênio e insuficiência cardiorrespiratória, explicou. Um cardiologista também foi chamado, mas nada pode ser feito, disse.


