Israel Reinstein
A pedreiro Alexsandro Lima, 18 anos, suspeita que o Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, tenha sido responsável pela morte de seu filho. De acordo com Lima, a criança, que nasceu prematura, morreu de forma estranha, sem que o hospital desse alguma explicação. O bebê faleceu na noite de domingo, mas a família somente soube do ocorrido na manhã de ontem, quando descobriu que o corpo já estava no necrotério. A Folha procurou a direção do Angelina Caron, mas os diretores não estavam.
Lima conta que o mau atendimento do hospital começou antes da hora do parto, na quinta-feira passada. Sem leitos para receber a sua esposa, Lucinéia Aparecida Madeira, 14 anos, os médicos a mantiveram no chão de um corredor, onde deu à luz. Mesmo sendo a criança prematura, ela só seria transferida na madrugada de sexta-feira, quando Lucinéia foi retirada do corredor para uma cama de enfermaria. ‘‘Ela ficou suja de sangue, como se fosse um porco’’, afirmou o marido.
Por ser prematuro, o bebê apresentou dificuldade respiratória, sendo encaminhado na madrugada para um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica. Durante o fim de semana, a criança foi mantida viva, por meio de um respirador. ‘‘No domingo avisaram para gente que estava diminuindo o nível de oxigênio, porque ela estava melhorando’’, conta o pai.
O bebê morreu às 21 horas de domingo, mas somente na manhã de ontem, Alexsandro Lima soube da morte do filho. ‘‘Deixei o telefone de minha casa no hospital, mas ninguém me chamou’’, disse.
‘‘O estranho que não deixaram a gente preparar a criança para o enterro’’, afirmou. A justificativa dada era que o prazo legal para executar o enterro estava encerrando. ‘‘O meu filho foi enterrado nuzinho, sem roupa’’, afirmou o pai. Para Lima, algo está errado. No atestado de óbito do filho de Lucinéia e Lima, consta apenas que a criança morreu por ser prematura.

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