Paulo Pegoraro
A pedreira municipal de Toledo (45 km a oeste de Cascavel) iniciará hoje explosões seguindo nova tecnologia, que deve diminuir o impacto ambiental e sobre moradores e animais de áreas vizinhas. As explosões serão fiscalizadas pelo Ministério Público (MP) e Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que exigem garantias de que os estrondos provocados pela dinamite utilizada e pedras explodidas não atinjam as áreas vizinhas. O funcionamento da pedreira tem sido contestado ao longo dos anos, inclusive com várias ações judiciais.
A promotora do Meio Ambiente Luciana Moreira disse ontem que a prefeitura realizou testes em outro local, utilizando a técnica ‘‘iniciação não elétrica com linha silenciosa’’, com detonações partindo de baixo para cima na formação rochosa, invertendo-se o que ocorria antes. O sistema reduz em 90% o barulho, vibrações e deslocamento de ar, segundo o especialista Luis Carlos Delgado, de uma empresa de São Paulo que realiza detonações e assessorou a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdur), que administra a pedreira.
A formação rochosa é localizada a cerca de 5 quilômetros do perímetro urbano, às margens do Rio Marreco, e em meio a pequenas propriedades rurais. As detonações estavam impedidas pela Justiça, devido aos danos que causava às famílias vizinhas e suas propriedades. Uma das mais afetadas era a do piscicultor Geraldo Schneider, sobre a qual eram lançadas lascas de pedra quebrando telhados e comprometendo a criação de peixes. Além disso, a poeira levantada nas explosões se espalhava sobre lavouras, dificultando o desenvolvimento de plantas.
Segundo a promotora Luciana Moreira, apenas uma em cada 10 pedreiras existentes no País tem autorização do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral. Luciana observa que ‘‘autorização não significa automaticamente o cumprimento de normas técnicas’’, por isso o Município foi obrigado a realizar o Estudo (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (Rima), que indicou medidas que deveriam ser tomadas para evitar os danos. ‘‘Agora, vamos vigiar o resultado prático’’, disse Luciana.
A representante do MP acrescenta que estudos da prefeitura mostram a qualidade da formação rochosa do município para a extração de material para obras. ‘‘Há o interesse público que deve ser preservado, mas sem descuidar do interesse privado, das famílias da área’’. O diretor da Emdur, José Airton Cella, relata que há necessidade de iniciar as detonações imediatamente para fornecer pedra britada para as obras de uma rodovia, com 35 quilômetros, entre Toledo e o vizinho município de Quatro Pontes.

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