Paulo Pegoraro
De Cascavel
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) informou que a pedreira municipal de Toledo (45 quilômetros a oeste de Cascavel) está liberada para operar, depois de testes com uma nova técnica para as explosões que reduz sensivelmente os ruídos e evita o lançamento de pedras para áreas vizinhas. A pedreira se constituiu durante muito tempo em um dos principais problemas ambientais do município, motivando inclusive denúncias formais de moradores vizinhos e do Ministério Público (MP), por causa dos danos causados pelas explosões de dinamite às propriedades da área.
A exploração da formação rochosa, com mais de 300 mil metros cúbicos, a 5 quilômetros da zona urbana e às margens do Rio Marreco, começou a ser questionada há cerca de uma década, até ser impedida, pela falta de estudo (EIA) e relatório (Rima) de Impacto Ambiental. A família do produtor rural Geraldo Schneider sempre foi uma das que mais protestou, porque sobre sua propriedade eram lançadas lascas de pedra que quebravam telhados, atingiam açudes de criação de peixes e causavam estresse em outros animais.
A poeira levantada nas explosões se espalhava sobre lavouras, dificultando o desenvolvimento de plantas. Sobre os moradores vizinhos, os efeitos sonoros das explosões eram altamente comprometedores. A prefeitura acabou contratando empresa especializada para a elaboração do EIA e Rima, e a seguir contratou outra para orientar o cumprimento das determinações do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Na semana passada foram iniciados os testes experimentais com a técnica de ‘‘iniciação não-elétrica com linha silenciosa’’.
As detonações passaram a ocorrer da base para o topo da formação rochosa, invertendo-se o que ocorria antes. Sobre a rocha é depositada pedra britada, que age na contenção do som e evita o lançamento de pedras. Segundo o engenheiro José Volney Bisognin, do IAP, observações feitas à distância de aproximadamente 50 metros da pedreira indicaram que o barulho não excedeu 40 decibéis (a partir de 70 há danos sonoros), e que as pedras derrocadas e que se elevaram caíram sobre a própria pedreira, sem atingir áreas vizinhas.
Segundo o técnico que orientou os testes, engenheiro Luis Carlos Delgado, também está sendo contemplado o quesito de deslocamento de ar e vibração, sem que seja espalhada poeira à longa distância. A pedreira agora está pronta para iniciar operação industrial, e fornecerá material para a base de uma rodovia com 35 quilômetros, que será construída entre Toledo e o vizinho município de Quatro Pontes.
A promotora do Meio Ambiente Luciana Moreira afirma que haverá monitoração das explosões durante algum tempo ‘‘para que haja garantia de ausência de danos ambientais’’. Segundo a promotora, apenas uma em cada dez pedreiras do País tem autorização do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral - a de Toledo tem a autorização, mas não cumpria a legislação.

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