A partir de primeiro de março, o terreno particular na pedreira do Jardim Ideal (Zona Leste), onde é despejado o entulho da construção civil em Londrina, não poderá mais receber os dejetos transportados pelas empresas de caçamba que operam na cidade e região. O comunicado foi feito no último dia 11, pelo proprietário do terreno, à Associação dos Transportadores de Entulho Sólido de Londrina (Atel), que há sete anos se responsabiliza pelo trabalho. A decisão vai deixar desamparadas 27 famílias que hoje fazem o trabalho de coleta seletiva no local, e desempregados os funcionários da Associação.
No aviso encaminhado à Atel, o proprietário da área, Mário José Dante Fornasier, dá prazo até o final de fevereiro para que as providências legais sejam tomadas. Este foi o segundo comunicado de fechamento da pedreira. O primeiro foi feito em novembro do ano passado. O contrato firmado com a Atel prevê o fechamento da área, de acordo com a decisão do proprietário.
A reportagem não conseguiu contato com Fornasier, mas apurou que o objetivo do proprietário é conseguir o habite-se e o alvará de licença para a construção já existente da empresa Hidromar, que funciona na parte de cima da pedreira. Em contrapartida, a prefeitura exige que obras de infra-estrutura sejam feitas no local, o que, segundo o proprietário, seria inviável. Segundo Fornasier, os investimentos no local já somam R$ 600 mil.
No terreno, que possui um contrato de aluguel no valor de R$ 1,5 mil por mês, são despejadas 4.200 toneladas de entulho por semana. O transporte é feito por caminhões de dez empresas de caçambas associadas à Atel, além de caminhões particulares e carroceiros. O despejo é controlado através de uma guarita, onde o lixo depositado é fiscalizado. ''Aqui temos toda uma estrutura de controle. Agora, queremos saber para onde vai essa quantidade de lixo produzida na cidade'', preocupa-se o presidente da Atel, Luís Cláudio Rodrigues.
Ele afirma que várias tentativas de negociação com a prefeitura para a busca de um terreno foram feitas, ''todas sem sucesso''. ''Como a prefeitura não resolveu, a Associação foi criada para transportar o entulho. A responsabilidade do terreno é da prefeitura. Não somos obrigados a ter um local para fazer o despejo'', reclama.
Numa conversa informal com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Rodrigues foi informado que não poderá fazer o despejo na aterro sanitário. ''Não sabemos onde vai ser depositado esse entulho e essa é a nossa maior preocupação''.
A assessoria da prefeitura, através do Núcleo de Comunicação, informou que existe interesse que a pedreira continue recebendo o entulho da construção civil, já que o aterro sanitário não pode mais receber esse tipo de material. Uma reunião agendada para amanhã, entre Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Secretaria de Obras e o proprietário do terreno, vai buscar uma solução para o impasse. O horário e o local da reunião serão confirmados hoje.
A assessoria informou ainda que o engenheiro responsável pelo aterro sanitário, Elsone José Delavi, já está trabalhando num projeto de licença ambiental para que a pedreira continue recebendo o entulho da construção.
A Secretaria de Obras também entende que o habite-se exigido pelo proprietário gera subdivisão da área, uma vez que o aterro já funciona no local.

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