A falta de planejamento urbano seria o motivo dos conflitos entre pedreiras e os moradores vizinhos a esses empreendimentos. Para o geólogo Antônio Fialho Sobanski, da Mineradora Boscardim, que fica em Piraquara, próximo da Serra do Mar, as instituições públicas estariam concedendo permissão de loteamentos em regiões tradicionalmente extrativistas, mesmo sabendo-se os impactos gerados. ‘‘Quando construíram o Condomínio Moradas da Serra, próximo da nossa mineradora, sabia-se do funcionamento da pedreira’’, diz o geólogo. No domingo, a Folha publicou a queixa de Arynelson Graboski Neto, morador desse conjunto, sobre o trânsito e a poluição provocados.
O geólogo questiona que as mineradoras atuam em determinados pontos da Região Metropolitana há décadas, contra alguns anos da implantação dos empreendimentos residenciais. Com exceção dos loteamentos irregulares, ele considera que nos demais tanto os arquitetos como os moradores sabiam da existência das pedreiras. ‘‘O impacto da usina pode ser visto à distância’’, afirma o proprietário da Boscardim, Antônio Sobanski.
Ele diz que as administrações locais e também os órgãos públicos estaduais sabem que a vida útil das mineradoras é grande. Para enfrentar problemas futuros, têm mineradoras adquirindo os terrenos a seu redor. A Boscardim utiliza apenas 14 alqueires dos 84 que possui, em torno da pedreira.
O advogado da Boscardim, Arnoldo Sobanski II, diz que este problema de pedreiras em áreas altamente adensadas não são exclusividade de Curitiba, mas também de cidades como Londrina. Para ele, a solução não pode ser a expulsão das empresas desses locais, porque afetaria a arrecadação de municípios, alguns dependentes das mineradoras, como Rio Branco do Sul e Almirante Tamandaré. Hoje, 21% do faturamento das mineradoras seriam taxas cobradas pelo municípios, Estados e governo federal.
O geólogo afirma que o impacto ambiental de uma pedreira é menor que o provocado pela agricultura. ‘‘A fiscalização sobre o setor é feita pela Delegacia de Meio Ambiente, Polícia Militar Florestal, IAP, ministérios do Exército e Minas e Energia, prefeituras’’, diz Antônio Fialho Sobanski. Segundo ele, sem a autorização de uma dessas instituições, a mineradora não poderia operar. Segundo ele, a propriedade não está em área de preservação. ‘‘Mesmo que estivesse, pelo fato de respeitar as regras exigidas, não causaria grandes impactos ao meio ambiente’’.A falta de planejamento urbano das prefeituras estaria causando conflitos entre empresas e seus novos vizinhos
Kraw PenasDefesaAntônio Fialho Sobanski, Arnoldo Sobanski e Antônio Sobanski, da Mineradora BoscardimPrefeituras estariam
permitindo loteamentos
em regiões de
tradição extrativista

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