Arquivo FolhaO promotor Cláudio Esteves, que pediu abertura de inquérito e indiciamento do ex-chefe da Ciretran, Arlindo Barbosa: ‘‘Pelo que apuramos, ainda estamos apenas vendo a ponta do iceberg’’O promotor da Promotoria de Investigações Criminais de Londrina Claudio Esteves solicitou abertura de inquérito policial e indiciamento do ex-chefe da 12ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), Arlindo dos Santos Barbosa, e do despachante Irineu Rodrigues de Freitas. Eles estão sendo acusados de envolvimento em diversas fraudes no órgão, conforme investigação feita em abril do ano passado pela Coordenadoria de Inspeção e Auditagem (Coia) do Departamento Estadual de Trânsito (Detran).
‘‘O nome dos indiciados aparece na maioria dos documentos que comprovam irregularidades. Na época, o senhor Arlindo estava na direção da 12ª Ciretran’’, afirmou o promotor. O inquérito também vai investigar diversos laudos falsos de peritagem a respeito de números de chassis adulterados de veículos. Em virtude do volume das denúncias e o grande número de irregularidades que foram levantadas pela Coia, o caso foi desmembrado em oito inquéritos. As primeiras investigações dão conta de que a documentação de transferência de 148 veículos desapareceram.
O juiz da 5ª Vara Criminal de Londrina, José Roberto Pinto Junior, já despachou ordem de busca e apreensão de oito carros, que na época teriam sido legalizados fraudulentamente pela 12ª Ciretran.
Nos inquéritos que foram distribuídos à 10ª Subdivisão Policial constam que, além de desapareceram processos de transferência de veículos, ocorreu falsificação de quitação de dívida de carros alienados a bancos e financeiras. Foram descobertos diversos casos de veículos sinistrados com o Certificado de Registro e Licenciamento (CRL); nas tranferências também faltaram as Certidões Negativas de Débito (CND) e na maioria dos casos as notas fiscais estavam rasuradas.
O promotor Claudio Esteves citou o caso em que, no espaço de quatro meses - de julho a novembro do ano passado -, o veículo Ômega, placa AEA-6814, apesar de alienado a um banco, foi transferido de proprietário três vezes, sem que a dívida aparecesse na sua documentação. O mesmo veículo veio de Curitiba a Londrina três vezes, para ser ‘‘legalizado’’. Em todas as vezes o carro mudou de proprietário.
‘‘Estamos investigando profundamente cada caso de fraude. Pelo que estamos apurando, estamos apenas vendo a ponta do ‘iceberg’, disse o promotor. Sobre os laudos periciais falsos, ele disse não poder adiantar nada. No entanto, enfatizou que, se comprovada esta espécie de fraude, estaria diante de uma quadrilha que agia em Londrina, facilitando furtos e roubos de carros em nossa região. (P.U.)

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