Um dos dirigentes dos sem-terra, Celso Damasceno, revelou que há cerca de 200 famílias alojadas na fazenda, de cidades como Londrina, Tamarana, Alvorada do Sul, Bela Vista do Paraíso, Ortigueira.
Segundo ele, não houve nenhum tipo de ameaça às famílias dos trabalhadores. ''Não temos armas aqui, nossa arma são essas que vocês estão vendo, ferramentas de trabalho mesmo. Somos agricultores lutando pela reforma agrária, só isso. Essa área está improdutiva há pelo menos quatro anos. Queremos plantar para nosso próprio consumo'', alegou.
Cerca de 40 moradores que deixaram a fazenda já prestaram depoimentos à Polícia Civil de Porecatu. Eles teriam começado a deixar a área há cerca de oito dias, logo após o incêndio no canavial. Segundo informações de um escrivão, que preferiu não se identificar, algumas famílias relataram que o grupo dos sem-terra fez uso de maconha no local em frente às crianças, foram bastante violentos e chegaram a dizer que quem fosse embora não poderia voltar para pegar mais nada. As famílias deixaram hortas, pequenas plantações e criações de porcos e galinhas no local. Ainda segundo a polícia foi instaurado um procedimento contra a Contag e um inquérito policial foi aberto para apurar os crimes cometidos dentro da fazenda, como ameaça, roubo de pertences, violação de domicílio. O caso será investigado pela Polícia Civil de Bela Vista do Paraíso.
O gerente da Usina Central, José Aparecido Batinga, informou que todas as providências foram tomadas, e o pedido de reintegração de posse da área foi concedido pelo juiz da comarca de Bela Vista do Paraíso à Usina no dia 12. ''Será cobrada uma multa diária de R$ 20 mil reais aos invasores. A fazenda não é improdutiva, inclusive estava com uma grande quantidade de cana que seria colhida no início de março. Calculamos que cerca de 90 mil toneladas de cana foram queimadas por eles. Muito mais que a invasão, existe a questão das famílias que viviam lá, algumas há 35 anos. Não temos outro lugar para levar essas famílias, mas os que invadiram terão que responder pelos atos'', disse.
Ainda segundo Batinga, uma mulher de 36 anos passou mal e foi levada para um hospital de Londrina, e faleceu vítima de um infarto. ''Ela teria visto um dos sem-terra com uma faca no pescoço do marido dela, ameaçando-o'', disse.
Essa não é a única área da Usina Central do Paraná ocupada por sem-terras. No início do mês de novembro, a Fazenda Variante, em Porecatu, foi tomada por cerca de duas mil pessoas do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), que permanecem no local até hoje. Segundo a direção da Usina, a reintegração de posse também já foi concedida em favor à UCP, pela Justiça de Porecatu, mas em ambos casos é necessário uma iniciativa do Governo Estadual para envio de reforço policial para a retirada dos sem-terra.

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