Pedido de prisão de ex-prefeito é revogado
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quarta-feira, 31 de março de 1999
Israel Reinstein 
O pedido de prisão preventiva do ex-prefeito de Morretes, Júlio Salomão, foi revogado na noite de anteontem. O mesmo desembargador, Clotário Portugal Neto, que solicitou a prisão, expediu mais tarde um alvará de soltura suspendendo o pedido anterior. De acordo com o advogado do ex-prefeito, Elias Mattar Assad, o juiz revogou a decisão porque o réu se comprometeu em comparecer às audiências marcadas pela Justiça. O pedido da prisão tinha sido feito em virtude das ausências de Salomão para depor.
De acordo com Assad, o ex-prefeito não foi às audiências por incompatibilidade de horários. Depois que deixou o serviço público, Salomão passou a prestar consultoria, o que toma muito tempo e o faz viajar pelo Estado, justifica. Em 1995, Salomão foi afastado do cargo por não ter prestado contas das despesas do governo municipal, sendo substituído pelo coronel Sérgio Malucelli.
Desvio - O advogado afirma que deve esclarecer os questionamentos do Ministério Público Estadual. Salomão é acusado de desvio de recursos públicos e utilização de avião para viagens particulares. O ex-prefeito teria usado recursos públicos para pagar viagens que fazia pelo interior do Paraná e também à Região Metropolitana de Curitiba.
O Ministério Público investiga as ações do prefeito realizada durante o período de 10 de novembro de 1994 a 22 de novembro de 1995. Salomão não está sendo investigado apenas pelo ministério estadual, mas também por sua similar federal. Em 1997, ele foi preso de pela Polícia Federal, ficando detido por 27 dias. Na época, o Procuradoria da República investigava a factoring Duplicred Fomento Mercantil, de propriedade da família do ex-prefeito. A empresa emitia duplicatas irregulares, tendo o Banco Central aberto um processo contra a Duplicred. Salomão foi acusado de agiotagem clandestina.
Salomão ficou preso até o dia 2 de setembro, quando conseguiu um habeas-corpus, expedido pelo Tribunal Regional Federal, em Porto Alegre. Paralelo ao processo federal, Júlio Salomão responde por três outras ações. Acusado de improbidade administrativa, de nomear parentes, e de passar cheques frios na praça, Salomão perdeu a Prefeitura de Morretes em 10 de junho de 96.


