Curitiba - As cadeias das delegacias da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) estão enfrentando os mesmos problemas da Capital: superlotação e falta de condições sanitárias para o presos. Depois da Vigilância Sanitária interditar, em Curitiba, o 11º Distrito Policial no mês de março e o 12º em abril, agora a Comissão de Direitos Humanos da Ordem de Advogados do Brasil do Paraná (OAB-PR) vai pedir a interdição das delegacias das cidades de Almirante Tamandaré e Pinhas, ambas na RMC.
A alegação da comissão da OAB para a interdição é a mesma que resultou em outras: problema de superlotação e insalubridade. Ontem, em Almirante Tamandaré, havia 60 presos onde é possível abrigar 25. Em Pinhais, a capacidade é de 16 detentos. Ontem, comportava 68. A secretária geral da comissão da OAB-PR, Isabel Kluger Mendes, afirma que a situação encontrada é crítica. Nas duas cadeias, a comissão encontrou situações insalubres como a falta de espaço para banho de sol - direito garantido pelos presos na Lei de Execuções Penais (LEP) -, de higiene e de local adequado para dormir, entre outros.
A visita à cadeia de Almirante Tamandaré foi feita na quinta-feira da semana passada. Na última terça, a comissão da OAB visitou as delegacias de Alto Maracanã, em Colombo, e a de Pinhais. Para pedir a interdição, a comissão vai enviar cópias do relatório sobre condições de higiene das delegacias para a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp), a Secretaria de Cidadania e Justiça (Seju), o Ministério Público do Paraná (MP-PR) e os juízes de cada município. A decisão da interdição depende dos juízes.
Os reponsáveis pela administração das duas delegacias têm opiniões diferentes sobre o pedido de interdição. Em Almirante Tamandaré, o superintendente da delegacia, Marco Aurélio Furtado, concorda que a cadeia seja interditada, pois define a situação como ''triste''. ''É muito preso'', desabafa. Furtado diz que a polícia está trabalhando e fazendo prisões e isso, naturalmente, faz com que o número de detentos aumente. Como possível solução, ele sugere o aumento de vagas no sistema penitenciário e uma maior agilidade do poder judiciário. A superlotação em Almirante Tamandaré não é de se espantar: as 25 vagas existentes na delegacia são as únicas oferecidas na cidade, diz Furtado.
Já em Pinhais, o problema é visto de outro forma. ''A interdição não é necessária'', afirma o delegado Agenor Salgado Filho, responsável pela delegacia. Por isso, discorda de várias deficiências apontadas pelo relatório da OAB, dizendo que não condizem com a realidade da cadeia. Entre elas estão a afirmação de que os presos se revezam para dormir e que, em dias de visitas, há relações sexuais abertas, presenciadas por outros detentos e visitantes. O delegado afirma que isso nunca aconteceu lá e que apenas a versão dos presos foi ouvida pela comissão de Direitos Humanos da OAB.

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