O requerimento apresentado pelo vereador Hélio Cardoso (PSB) pedindo o afastamento do secretário municipal de Administração Rubens Menoli e do presidente da Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, gerou polêmica na última quinta-feira, na sessão da Câmara de Londrina, mas não encontrou respaldo junto aos demais vereadores.
Hoje o requerimento deve ser votado sem o apoio da maioria, que considera o pedido precipitado e sem embasamento documental. Hélio Cardoso pediu a exoneração de Sella e Menoli alegando que ambos, em 1997 e 1998, foram sócios da empresa de consultoria Resell Assessoria, que em 2000 prestou serviço para a Vega Ambiental, hoje responsável pela coleta de lixo na cidade.
O vereador acredita que o vínculo de ambos com a empresa coloca sob suspeição o processo de licitação do serviço de coleta de lixo, coordenado por eles. A veradora Elza Correia (PMDB) afirmou ontem à Folha que a avaliação do seu partido é que a atitude de Hélio Cardoso foi precipitada e sem fundamento.
‘‘Pela primeira vez vou votar contra um requerimento’’, afirmou. Segundo ela, o pedido de exoneração de Sella e Menoli, sem apresentação de provas, coloca em risco a imagem da Câmara. ‘‘Se eles ainda fossem sócios da empresa e esta fizesse parte da licitação, aí sim teríamos que investigar’’, disse Elza.
A vereadora Márcia Lopes (PT) disse que é contrária, pois seria uma ingerência do Legislativo sobre o Executivo a Câmara pedir a demissão dos secretários. ‘‘Se há problemas que precisam ser investigados, há outros caminhos a serem seguidos, como os da Justiça’’, argumentou.
Renato de Araújo (PPB) foi categórico ao dizer que é contrário ao pedido. ‘‘Eu não voto favorável a este tipo de requerimento. Vou fazer um trabalho para que o próprio autor peça sua retirada de pauta’’, disse. Roberto Kanshiro (PSDB) também é favorável a uma avaliação junto com o autor para a retirada de pauta.
Os votos de Arildo Domingues (PHS) e de Sidney de Souza (PTB) dependem de provas mais contundentes sobre o vínculo dos secretários com a empresa Resell após a vitória do prefeito Nedson Micheleti (PT). ‘‘Todas as denúncias são válidas, temos que investigar, mas se ele (Hélio Cardoso) não trouxer provas concretas, voto contra’’, afirmou Arildo Domingues.
O vereador Henrique Barros (PFL) ainda se diz indeciso, mas admitiu que sua tendência é votar contra. ‘‘É preciso fundamentar melhor a denúncia’’. Jamil Janene (PDT) também vota contra o requerimento. ‘‘Eles (Sella e Menoli) estão desligados da empresa há três anos e não há nenhuma irregularidade nesta empresa’’, afirmou. ‘‘E depois, a licitação está sendo realizada com a maior transparência.’’

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