O promotor da Auditoria Militar do Estado, Misael Duarte Pimenta Neto, deu parecer favorável ao arquivamento do Inquérito Policial Militar (IPM) contra o coronel Rubens Guimarães de Souza. O IPM havia sido aberto para apurar as responsabilidades do oficial no atropelamento de Anderson Amaurílio da Silva, durante um protesto na região do Terminal Urbano (centro de Londrina) contra o reajuste da tarifa do transporte coletivo, ocorrido no dia 13 de junho. O rapaz morreu dias depois.
A opinião pelo arquivamento foi expedida na semana passada. No dia do atropelamento, Guimarães ainda era comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) e coordenou a montagem de um cordão de isolamento para que os ônibus, impedidos de circular devido à manifestação de estudantes, pudessem sair do Terminal. Um veículo da linha 302, conduzido por Nery Soares da Silva, foi o primeiro a ir para a rua, e, após um empurra-empurra, atropelou Anderson.
Segundo Pimenta, não ficou ''configurado nos autos'' que Guimarães tivesse ''intenção'' de provocar as lesões que mataram o rapaz, nem que tenha havido algum descuido. ''Foi uma circunstância acidental'', concluiu o promotor, que, apesar de trabalhar na Auditoria Militar, é civil e não pertence aos quadros da PM.
A opinião agora será levada ao juiz militar, que poderá optar pelo arquivamento do IPM ou encaminhar o caso à Procuradoria Geral da Justiça, para que o processo seja designado a outro promotor. Se arquivado, o IPM poderá ser reaberto caso sejam apresentados dados novos.
No início de agosto, a juíza da 2 Vara Criminal, Lidia Maejima, acatou denúncia do promotor Inácio de Carvalho Neto contra Nery Soares da Silva, que será interrogado no dia 3 de novembro, às 16 horas. Carvalho também denunciou Rubens Guimarães, mas, como o coronel estava em serviço, o caso foi encaminhado à Justiça Militar. A denúncia ainda não chegou a Pimenta.
A diretoria da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), empresa proprietária do ônibus que atropelou Anderson, informou ontem que não teria nenhum pronunciamento a fazer sobre o pedido de arquivamento do IPM, e que está dando toda a assistência jurídica a Soares da Silva. O coronel Guimarães foi promovido poucas semanas depois do atropelamento e está trabalhando em Curitiba. Ele não foi localizado para comentar o assunto.
Anteontem, durante um protesto contra o reajuste da tarifa do transporte coletivo em Salvador (BA), um adolescente de 13 anos foi atropelado por um ônibus e morreu.

mockup