A Procuradoria da República em Cascavel formalizou ontem ação na Justiça Federal contra o médico Yegor Moreira, supervisor de atividades previdenciárias do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), acusado de improbidade administrativa. O procurador Celso Antônio Três pediu o afastamento imediato de Yegor, porque ele estaria dispensando tratamento ‘‘abusivo e irregular’’ a portadores de Distúrbio Ósteo-Muscular Relacionado ao Trabalho (Dort), doença também conhecida como Lesão por Esforço Repetitivo (LER).
Yegor Moreira é responsabilizado pelo procurador por altas médicas a lesionados que recebem auxílio-doença, sem que estejam recuperados e aptos ao trabalho. Celso Antônio Três afirma que o INSS reconhece formalmente o Dort como doença, há casos ‘‘visíveis a qualquer leigo’’, e ‘‘farta documentação’’ (atestados) emitida por médicos assistentes dos lesionados, ‘‘revelando sua condição incapacitante’’, mas os peritos do instituto alegam cumprirem portarias internas e ‘‘determinações da chefia’’ para cortar o auxílio.
Yegor Moreira, além de atuar no INSS, é medico trabalhista da Fundação Telepar. Segundo o procurador, ele se vale da qualidade de supervisor dos peritos ‘‘para favorecer empresas empregadoras’’, determinando altas médicas que ‘‘afastam direitos dos trabalhadores’’. Por isso, além da ação principal, Celso Antônio Três comunicou a Justiça que pedirá inquérito policial para apurar os fatos.
A Procuradoria da República colecionou depoimentos de vítimas da Dort, anexados à ação, relatando o encaminhamento que foi dado a seus casos, todos contrários aos pedidos feitos pelos médicos. Celso Antônio Três argumenta que se torna ‘‘imprescindível’’ o afastamento liminar do supervisor.
Yegor Moreira afirma que só os laudos dos peritos podem atestar Dort, nega usar o cargo para atender interesses de empresas, e frisa que não realiza perícias no INSS. ‘‘Apenas repasso normas aos peritos e confiro laudos’’. Segundo ele, há atualmente 18 pessoas afastadas por Dort na região, e pelo menos 12 casos alegados da doença foram descaracterizados na perícia.

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