Pedida prisão de acusados de sequestro
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terça-feira, 07 de julho de 1998
Marcos Zanatta 
A Polícia Civil pediu ontem a prisão provisória do assaltante Ademir Bitencourt e outros dois suspeitos de participação no sequestro do gerente geral e do tesoureiro do Banco do Brasil de Maringá. Todos os acusados moram em Marialva (17 quilômetros de Maringá), mas não foram localizados na cidade. A ação rendeu R$ 1,5 milhão aos sequestradores, que fizeram a família dos dois bancários como reféns durante cerca de seis horas. A polícia chegou até eles através de telefonemas feitos pelo grupo durante a operação.
O delegado-adjunto da 9ª Subdivisão Policial de Maringá, Roberto Fernandes, disse ter certeza da participação de Bitencourt no sequestro. Os nomes dos outros dois não foram divulgados pela polícia. O delegado disse que está investigando ainda outro nome, de um foragido da cadeia de São Paulo, que já teria participado de ações do mesmo tipo. Todos os casos parecidos estão sendo investigados, inclusive um ocorrido há 13 anos em Umuarama, informou.
As investigações começaram logo após o depoimento das principais vítimas, na tarde de anteontem. A primeira pista foi a localização, por volta das 22 horas, do Fiat Fiorino utilizado por alguns dos sequestradores. O veículo, com placas de Belo Horizonte, estava abandonado em uma estrada rural entre Marialva e Mandaguari, sobre a linha férrea. Fernandes acredita que os sequestradores ficaram sabendo dos passos da polícia e deixaram a região às pressas, tanto que o Fiorino estava com o rodado dianteiro quebrado. Acho que eles ainda estão na região, disse Fernandes à Folha.
Os dois veículos abandonados pelos sequestradores logo após a liberação dos reféns, um Logus placas de Americana (SP) e uma Kombi placas de São José dos Campos (SP), foram roubados em São Paulo. O Fiorino a polícia investigava até ontem de tarde.
A localização do Fiorino levou a polícia até uma chácara que pertenceu a Bitencourt e depois até uma casa, também na zona rural de Marialva, onde a quadrilha estava antes do sequestro. No local, a cerca de 15 quilômetros do centro da cidade, foram encontrados colchões, copos, pratos e muito lixo, elástico de dinheiro, mapas e um rádio tipo HT, sintonizado na frequência da Polícia Militar.
Pela quantidade de objetos e de lixo no local, a polícia calcula que oito pessoas compõem a quadrilha, e que elas ficaram cerca de 10 dias na casa. Os mapas indicavam rotas entre São Paulo, Londrina e Maringá. A polícia levantou também que o grupo alugou a chácara e três linhas de telefone celular.
O delegado Fernandes considera que assaltantes do Rio de Janeiro e até de outros estados participaram da ação. Para Fernandes, o que dificultou a ação da polícia foi a demora na comunicação do sequestro. A gerência do Banco do Brasil em Maringá comunicou primeiro o fato à superintendência em Curitiba, que acionou a Secretaria de Segurança Pública do Estado. A polícia de Maringá somente foi acionada cerca de duas horas depois da fuga dos sequestradores.


