Pedida interdição da Prisão Provisória
Paulo Ubiratan
Londrina
O delegado Eurico Hummig Filho solicitou ontem a interdição parcial da Prisão Provisória de Londrina (PPL), da qual é diretor. A unidade foi inaugurada no ano passado e está superlotada. O diretor solicitou ao juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) e corregedor dos presídios, Roberto do Valle, a redução do número de presos encarcerados na PPL seja reduzido para 144, o que corresponde, segundo ele, à capacidade ideal. Ontem a prisão estava abrigando 200 presos.
Há menos de 20 dias o delegado já havia denunciado os problemas da PPL ao juiz Roberto do Valle. No documento enviado ontem ao juiz ele enfatizou que se tratava de um alerta para evitar uma tragédia no caso de rebelião ou fuga em massas de presos. Ontem o delegado não quis falar à Folha.
No pedido de interdição enviado ao juiz, Eurico Hummig Filho repete em tópicos as mesmas irregularidades que havia apontado anteriormente. Entre os problemas está a falta de hidrantes e extintores de incêndio no prédio.
O diretor chama a atenção também para o muro do solário que é muito baixo e não possui nenhum proteção de arame farpado (ouriço), facilitando fugas e invasão do local. Além disso, aponta a falta de torneiras de água e banheiros no solário, obrigando os presos a entrar e sair das celas durante o banho de sol, prejudicando todo o sistema de segurança.
Entre as outras denúncias Eurico Hummig também evidencia a fragilidade das portas das celas e dos corredores internos, com possibilidade de serem abertas pelos presos sem nenhum esforço. Série de reportagens feita pela Folha no mês passado mostrou o problema.
O juiz Roberto do Valle disse que ainda não vai atender o pedido do delegado. Antes vou solicitar laudos técnicos do Instituto de Criminalísitica, dos bombeiros e da 17ª Regional de Saúde. Vou dar prazo de 15 dias para a feitura dos laudos e, se confirmadas as denúncias, vou oficiar um pedido de providências à Secretaria de Segurança, afirmou. Ele enfatizou que, a partir da remessa do ofício, caso não forem tomadas as providências necessárias, no prazo de 30 dias irá pedir a interdição total da PPL.
O juiz disse que se isto ocorrer as providências de recolher os presos em outros locais não é da Justiça. A responsabilidade de custódia dos presos é de exclusividade do Estado. Neste caso será a Secretaria de Segurança que deverá saber onde colocar os presos da Prisão Provisória se ela for interditada, afirmou Roberto do Valle. No ano passado o juiz interditou o 5º Distrito Policial, por falta de segurança.





