Pediatria sobrecarregada na UPA de Cambé
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
Cambé Os primeiros dias de funcionamento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cambé (Região Metropolitana de Londrina) foram marcados pela presença de um grande número de crianças na sala de espera e queixas em relação ao tempo de espera, que chegou a duas horas ontem, segundo os usuários ouvidos pela FOLHA. O coordenador da unidade, Marcelo Ascêncio, considerou o tempo de espera "dentro da normalidade" e disse que nos primeiros dias o movimento significou apenas 40% da capacidade que é de 300 atendimentos por dia. "Acabei de conferir a lista de espera da pediatria e tem sete crianças aguardando. As consultas com crianças sempre demoram um pouco mais e, por isso, chegamos às duas horas de espera", justificou Ascêncio, por volta das 11 horas de ontem.
Do lado de fora da unidade, inaugurada na sexta-feira passada, havia gente revoltada, como o servidor estadual Wellington Vitorelli, que foi ao minihospital com a mulher, Patrícia, e com o filho, Davi, de nove meses e com sintomas de gripe. "Estou indo embora porque cansei de esperar. Faz quase duas horas que eu estou aqui. Fico imaginando quem não tem escolha porque não tem um veículo para se deslocar até Londrina", criticou. "O que adianta fazer um prédio bonito como esse e não ter médicos?", completou.
Ascêncio disse que as segundas-feiras costumam ser dias mais críticos em relação ao atendimento e que as queixas dos pacientes são interpretadas pelas autoridades de saúde como "problemas pontuais". O coordenador descartou a contratação de mais pediatras e garantiu que um especialista por turno "é o suficiente". Ele afirmou que a unidade está operando com 21 funcionários sendo três clínicos gerais e um pediatra por turno e que todos os equipamentos previstos foram instalados. "O grande ganho para o sistema é que vamos diminuir a demanda do atendimento de emergência da Santa Casa", avaliou, lembrando, no entanto, que a UPA não tem condições de atender vítimas de acidentes por não contar com ortopedista e sala de cirurgia.
Pelo planejamento do Município, cerca de 55 mil pessoas do centro e do centro oeste da cidade serão atendidas pela nova unidade, localizada no Jardim Tupi, um bairro central. Enquanto isso, cerca de 40 mil moradores do lado sudeste serão atendidos pelo Pronto Atendimento 24 horas (o antigo Hospital Londrina), a seis quilômetros dali, no Jardim Golden Park.
Lá também muitos pacientes reclamavam da demora, de até quatro horas. A unidade deixou de ter pediatria após a inauguração da UPA e conta agora apenas com um médico por turno. Ontem, a maioria da frequência era formada por idosos.
Para a manicure Eliane Ventura de Oliveira, mãe da adolescente Gabriele, ambas com sintomas de gripe e que aguardavam atendimento no final da manhã de ontem na UPA, o movimento relativamente baixo dos primeiros dias está com os dias contados. "Infelizmente, a gente acha que aqui, pela localização e pela facilidade às linhas de ônibus, vai lotar direto. Quem vier aqui vai esperar bastante", prevê Eliane, ainda de bom humor, mesmo após 50 minutos de espera.


