Londrina está discutindo junto com as sociedades brasileira e estadual de Pediatria uma ampliação no atendimento à criança e ao adolescente no Programa de Saúde da Família (PSF). Desde o ano passado, a Sociedade Brasileira de Pediatria vem defendendo, através de oficinas nos municípios interessados, a proposta de inclusão do pediatra nas equipes do PSF, com o objetivo de garantir a qualidade do atendimento a essa parcela da população.
O presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Lincoln Marcelo Silveira Freire; a presidente da Sociedade Paranaense de Pediatria, Eliane Cesário Pereira Maluf, o coordenador nacional do PSF, Dioclécio Campos Jr., estão desde ontem realizando debate sobre o tema na Associação Médica de Londrina (AML). Estão participando o secretário Municipal de Saúde, Silvio Fernandes, profissionais da área de saúde e a comunidade.
Segundo Lincoln Freire, a implantação da proposta não requer investimentos e nem mudanças estruturais no PSF. Hoje as equipes do PSF são constituídas por um médico generalista, uma enfermeira, dois auxiliares de enfermagens e de quatro a seis agentes comunitários, que atendem de 2.400 a 4.500 pessoas.
A proposta da Sociedade Brasileira de Pediatria é de que 50% do total de equipes que atendem uma região passe a ter, no lugar do generalista, o pediatra. O atendimento passaria a ser feito em conjunto por uma equipe com generalista e uma com pediatra. As duas equipes passariam a atender um universo de 4.800 a 9.000 pessoas.
A preocupação, de acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, é com a qualidade do atendimento das pessoas com idades entre 0 e 19 anos. Ele afirma que hoje, no Brasil, há 14 mil equipes do PSF, sendo que apenas 37% dos médicos têm residência e destes, 1/3 são pediatras. ‘‘Isso significa que 85% das crianças não são atendidas por médicos com qualificação’’, afirma.
Os agravantes para a garantia da saúde da criança em decorrência disto ainda não podem ser mensurados porque o PSF foi implantado há menos de 10 anos, em 1994. Mas os pediatras percebem, segundo Lincoln Freire, alguns problemas como: dupla consulta – criança atendida pelo PSF e que depois é atendida novamente no serviço de urgência/emergência.
As reclamações, segundo ele, surgiram a partir das sociedades estaduais de pediatria. A primeira oficina para discussão do problema foi realizada no ano passado em Florianópolis (SC), que aderiu à proposta da Sociedade Brasileira de Pediatria.
O secretário de Saúde de Londrina, Silvio Fernandes afirmou ontem que irá conhecer melhor a proposta no debate, para depois se posicionar. Ele afirmou que não recebeu nenhuma reclamação sobre a necessidade de pediatras no PSF em Londrina, mas ‘‘toda proposta que vier aperfeiçoar o modelo existente é bem-vinda’’. Em Londrina, 93 equipes do PSF atendem a área rural e urbana. São 380 mil pessoas atendidas pelo PSF.

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