No prédio onde funciona o consultório, na Avenida Bandeirantes, as cores chamam a atenção e ajudam a destacar as fotos também coloridas de crianças que tomam as paredes. Na sala principal, Álvaro Luiz de Oliveira, um dos mais respeitados pediatras de Londrina, recebe a equipe de reportagem de forma descontraída, sem o habitual uniforme branco. Habitual para outros médicos, não para ele. Doutor Álvaro, como é conhecido, conta que nunca usou roupa branca para trabalhar. ''É um hábito que adquiri sem querer e que acabou sendo proveitoso. As crianças têm ligação com a roupa branca do médico, do farmacêutico, que fazem exames, dão injeção. Com a roupa colorida dá a impressão que a criança não está indo ao médico. Facilita o contato.''
Formado na primeira turma de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 1972, ele fez residência médica também na primeira turma de especialização em Pediatria da instituição. A descoberta pela especialidade aconteceu somente no último ano do curso. ''Estudei Medicina durante os cinco anos me preparando para a especialização em Neurologia. No internato (parte prática) do curso, me encantei com os cuidados com as mães, a melhora rápida das crianças e a evolução delas'', conta. Há 33 anos ele se dedica, diariamente, à assistência de recém-nascidos.
Hoje, já cuida dos filhos dos primeiros pacientes (os chamados ''netos de consultório'') e tem no humor a principal receita para prestar um bom atendimento. ''Tem criança que chega aqui e fala que não gosta de mim. É verdade! Mas depois a gente conquista. Às vezes leva um ano...'', brinca.
Para o pediatra, as crianças são mais fáceis de lidar e não têm ''os grilos'' dos adultos. ''Em relação à doença, a criança reage melhor. Os adultos, às vezes, não estão doentes, mas estão sofridos. A criança não tem o fator emocional e isso facilita a evolução do tratamento.''
Ele revela que erros na nutrição, e consequentemente a obesidade em crianças e adolescentes, são o maior problema enfrentado nos consultórios pediátricos atualmente. A explicação, segundo o médico, é o fato das mães estarem mais distantes dos filhos, em função do trabalho. ''Elas precisariam estar mais perto, mas a vida moderna não permite.''
Segundo Oliveira os pediatras de hoje vivem a ''angústia'' das mães. ''O pediatra pode ser considerado o médico da família. Ele cuida dos conflitos familiares e da relação da mãe, que se divide entre o trabalho e os cuidados com os filhos.''
Sem saber o número de crianças que cuidou e já ajudou a crescer, ele brinca: ''Quando tiver tempo vou fazer essa contagem''. E comenta a alegria de exercer a profissão: ''É gratificante quando você prepara o indivíduo para um futuro saudável. Faria tudo de novo.''
Em defesa da profissão -
Além da correria do consultório, Álvaro Luiz de Oliveira atua na Associação Médica de Londrina (AML), onde ocupa o cargo de vice-presidente, é representante da Sociedade Paranaense de Pediatria e delegado do Conselho Regional de Medicina (CRM).
Empossado com os demais membros da nova diretoria da AML no dia 18 de outubro, quando se comemora o Dia do Médico, ele assumiu o compromisso de defesa do profissional, no sentido de melhorar as condições de traballho e de atendimento ao paciente, além de lutar por uma melhor remuneração dos serviços. ''O médico está cada vez mais cercado de atendimento por convênios, mas o grande mercado de trabaho da categoria está no atendimento através do Sistema Único de Saúde (SUS).''

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