Siqueira Campos - A Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Siqueira Campos (Norte Pioneiro) está investigando a denúncia de que um médico sem registro definitivo teria trabalhado no Pronto Atendimento Municipal. O dominicano Andrés Ortiz teria atuado na cidade por cerca de um mês e, assim que a irregularidade se tornou pública, ele teria se transferido para o interior de São Paulo, onde já estaria atendendo em outro estabelecimento de saúde.
A denúncia foi feita por um paciente ao vereador Arnaldo Ribeiro Luska. No dia 18 deste mês, a Comissão de Saúde iniciou uma investigação. Membro da comissão, o vereador Paulo Leite revelou que Ortiz não tinha registro em nenhum Conselho Regional de Medicina (CRM) do País. ''Ele é formado em Santo Domingo (República Dominicana), o diploma dele foi traduzido, tem proficiência em Língua Portuguesa pela USP, vários cursos de especialização e apresentou um protocolo do CRM do Paraná que seria uma licença temporária mas que o proíbe de atender pacientes'', precisou Leite, completando que a especialidade do dominicano seria pediatria. Em Siqueira Campos, ele teria realizado oito plantões no Pronto Atendimento Municipal, um posto público de saúde que funciona 24 horas.
A secretária municipal de Sa© úde, Lídice Perrin, afirmou que Ortiz teria sido afastado do cargo após seis plantões por não apresentar o registro no CRM do Paraná. Mas, por outro lado, foi taxativa: ''Ele é médico, apresentou todos os documentos exigidos para a função, tem registro temporário no CRM de São Paulo e aguarda apenas a liberação do MEC (conclusão do processo de revalidação do diploma estrangeiro)''. A secretária revelou ainda que o dominicano teria atuado como médico em pelo menos outras duas cidades da região.
Desde que surgiu a denúncia, o dominicano não foi mais visto em Siqueira Campos.
As assessorias do CRM do Paraná e de São Paulo (Cremesp) garantiram que Ortiz não possui registro que o habilite a exercer a medicina e que também não é possível fazer um registro provisório ou temporário. No CRMPR, o dominicano teria dado entrada na validação do diploma estrangeiro mas não deu prosseguimento. No Cremesp, a situação é semelhante. A assessoria divulgou que em 1994 ele obteve licença temporária para fazer residência médica em pediatria em uma faculdade de Catanduva, pediu prorrogação nos anos de 1995 e 1996 mas não renovou a partir de 1997. O Conselho paulista lembrou ainda que mesmo que o dominicano tivesse registro em São Paulo ele não poderia atuar no Paraná sem estar registrado também no CRMPR.

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