Maringá O juiz Joaquim Pereira Alves, da 1 Vara Criminal de Maringá, concedeu ontem liberdade provisória ao pediatra Silas de Melo Bruder, 51 anos, que desde fevereiro está preso no Sanatório Maringá. O médico foi detido em janeiro acusado de praticar abusos sexuais contra 15 crianças e adolescentes, do Conjunto Santa Felicidade, bairro mais carente da cidade.
O pedido de liberdade provisória recebeu parecer favorável do promotor Laércio Januário de Almeida, reponsável pela defesa das vítimas. Juiz e promotor se basearam em laudos dos psiquiatras Renato Rocco e Tania Maria Zanier, de Curitiba. Segundo o parecer dos médicos, Silas Bruder ''é portador de quadro compatível com conceito jurídico de perturbação mental'' e não pode ser totalmente responsabilizado pelos atos cometidos.
Os psiquiatras afirmaram que Bruder é compulsivo e por isso precisa de tratamento psicoterápico e ambulatorial contínuo e rigoroso. Com o parecer médico, requerido pela defesa, o pediatra poderá pleitear redução de um a dois terços da pena, se for condenado.
O juiz que concedeu liberdade provisória disse que o réu precisará submeter-se ao tratamento duas vezes por semana e seus médicos terão que prestar contas dos atendimentos à Justiça. Ele lembrou ainda que caso o pediatra volte a se envolver em situação suspeita, terá sua liberdade provisória suspensa.
Bruder foi preso em flagrante com duas meninas de 9 e 11 anos dentro do carro, numa estrada vicinal, na periferia da cidade. Na época, ele estava sendo investigado pela Polícia por conta da denúncia da mãe de um excepcional de 16 anos que se dizia vítima do médico. Diante da notícia da prisão, começaram a surgir novas denúncias de abuso sexual contra o pediatra. Três ex-pacientes, hoje adultas, acusaram o médico de ter abusado delas no passado, dentro do hospital e clínica.
O Conselho Regional de Medicina suspendeu o registro do pediatra até o trâmite final de um procedimento disciplinar.

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