Pedestres se arriscam em rodovias
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segunda-feira, 23 de junho de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
O perigo de atravessar as rodovias parece não incomodar pedestres que insistem em não usar as passarelas construídas em vários pontos de Londrina. Em todas elas, basta alguns momentos de observação para flagrar adultos e crianças que se arriscam no meio de carros, caminhões e motos, num fluxo intenso e de alta velocidade.
As alegações para não utilizar as passarelas são as mesmas em qualquer ponto da cidade. Falta de segurança (algumas são construídas em concreto e não dão visão para o pedestre durante o trajeto) e a sujeira, motivos citados pelos usuários, foram confirmadas pela reportagem da FOLHA.
A situação mais crítica é na passarela da PR-445, na saída para Curitiba. O porteiro Adriano Aparecido da Silva, morador do Conjunto Saltinho (Zona Sul), costuma atravessar as duas pistas da rodovia, evitando a passarela. ''É uma passarela muito fechada, perigosa, não se tem visão de nada. Você não sabe quem vai encontrar lá dentro. Além disso, tem muita sujeira. Prefiro me arriscar na pista'', justifica.
A situação é confirmada pela costureira Maria Alves Ribeiro, que atravessa com muita pressa a passarela. ''É a segunda vez que utilizo a passarela. Olha só a sujeira, o mau cheiro. É muito perigoso.''
A tela de proteção para evitar que os pedestres atravessem pela pista na PR-445 é observada ao longo de 140 metros. Mesmo assim, é possível encontrar pessoas que andam ao longo da pista até onde acaba a tela para poder atravessar a rodovia.
Na BR-369, a tela de proteção chegou a ser recortada em vários pontos pelos pedestres. Lourdes Aparecida Lourenço, 80 anos, se arrisca pela rodovia porque alega ser mais seguro do que atravessar pela passarela. ''Nunca uso a passarela. Tenho problema de pressão e acho que é mais seguro atravessar pela pista.''
O trajeto entre a Vila Yara (Centro), onde Lourdes mora, até o outro lado da pista, é feito há 36 anos. ''Sempre atravessei a rodovia. É só ter cuidado. Olhar dos dois lados, esperar o sinal fechar para os carros, parar no meio da pista e aguardar o momento certo de cruzar o outro lado'', ensina.
Ela afirma que os acidentes ocorridos no local geralmente acontecem por imprudência do próprio pedestre. ''Em todas as mortes que aconteceram aqui, as pessoas foram imprudentes. Tem movimento de carros, mas é só escolher o momento certo para atravessar.''


