Atravessar os cinco quarteirões que formam o Calçadão, aproveitando o comércio e vários estabelecimentos de lazer, pode se tornar uma aventura perigosa, se o pedestre não estiver atento aos buracos e à sujeira. Ontem pela manhã, a reportagem percorreu o local e constatou que em pelo menos em 40 pontos as canaletas de escoamento de água estão soltas ou sem as grades de proteção.
Vendedoras de uma loja de roupas entre as ruas Minas Gerais e Rio de Janeiro afirmam que sempre presenciam pessoas enroscando os pés nas grelhas soltas ou mesmo nos buracos abertos nas grelhas. ''É gente nova, gente mais velha. Toda hora alguém se machuca'', afirma Denise Larissa Paes. ''As crianças que passam correndo são as que mais se machucam. Elas enroscam e torcem o pé a todo momento'', reforça Natielen Batista Fernandes.
O casal Gilma Ferreira da Silva Santos e Aroldo Santos Filho passam sempre pelo Calçadão, agora com o filho Victor Hugo, de dois meses. ''Precisei prestar mais atenção, principalmente na gravidez e agora que estou com meu filho pequeno. Se não tomar cuidado, é perigoso cair'', disse Gilma.
Trabalhando com educação de crianças especiais, Gilma reclama da dificuldade de circular com os alunos quando são levados para atividades no Calçadão. ''Sempre que a gente vem com eles para fazer a socialização temos problemas com as cadeiras de rodas ou mesmo com os que têm dificuldade para caminhar.''
Morando no Calçadão há 30 anos, José Moreira Dutra, 95 anos, caminha apoiado em uma bengala e não poupou críticas à situação do local. ''Isto aqui já foi bem melhor. Hoje está tudo ruim, tudo muito abandonado. É um perigo para caminhar, ainda mais uma pessoa da minha idade. Tem que andar bem devagar. Não pode facilitar'', observa Ele reclama também da sujeira e do mau cheiro. ''Não estão cuidando, tudo está muito sujo'', referindo-se ao cocô das pombas.
De acordo com o secretário municipal de Obras, Aloysio de Freitas, não há previsão para a manutenção das grelhas. O projeto de revitalização do Calçadão ainda não saiu do papel, também por falta de recurso.
O secretário afirmou que uma das soluções para o problema seria fazer a troca das grelhas de ferro pela de concreto. ''Existem 'n' soluções. O problema é que agora não temos recursos'', reformou. Para o secretário, ''é preciso um esforço conjunto'' para resolver o problema.
No ano passado, um mutirão envolvendo equipes da secretarias de Obras, Agricultura e Comapanhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), rejuntou o piso feito de petit pavê, fixando melhor as pedras, que se soltavam, principalmente, quando a lavagem do Calçadão era feita.
De acordo com o presidente da CMTU, Mauro Yamamoto, uma parceria entre as secretarias municipais do Ambiente e de Educação garantiu a troca de 26 bancos, instalados ao longo do Calçadão, inclusive, no espaço em frente à Biblioteca Pública. ''Foi um trabalho conjunto que teve um bom resultado'', afirmou Yamamoto.

mockup