Pedestres ocupam entorno da Catedral
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local
Pedestres caminhando no meio da rua, crianças brincando em estandes na calçada, pessoas doando sangue, food trucks pela Praça da Bandeira. Quem passou ontem pelo entorno da Catedral Metropolitana de Londrina viu a região de uma forma diferente. A cena foi possível graças à mobilização do Dia Mundial Sem Carro, que motivou a interdição de vidas como as alamedas Miguel Blasi e Manoel Ribas, além das travessas Padre Eugênio Herter e Padre Bernardo Greis.
O bloqueio ocorreu das 7h às 18h e fez parte da programação da Semana Nacional de Trânsito. Pela manhã, segundo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), o fluxo de veículos na rotatória da Rua Senador Souza Naves, no cruzamento com a Manoel Ribas, foi mais intenso, mas diminuiu logo após o fim do horário de pico. Quem precisou usar o transporte público com linhas que passavam pela área interditada teve de descer ou embarcar em um ponto anterior ou posterior. Já moradores de edifícios e mensalistas de estacionamentos dali precisaram de um adesivo para ter acesso ao local.
Mesmo abrangendo poucas vias da área central, a iniciativa do Dia Mundial Sem Carro gerou diferentes reações entre a comunidade. "Atrapalhou porque eu precisava passar por estas ruas para levar os passageiros. Tive que fazer toda uma volta", contou o taxista Nilson Bassetto, de 70 anos. A bancária aposentada Edna Takeda, de 63, seguia para a Biblioteca Municipal e não pôde estacionar ao lado da Catedral. Teve de caçar uma vaga em outro lugar. "Fiquei praticamente meia-hora rodando, não sabia que as ruas estavam fechadas. Desci até a Sergipe", comentou. O aposentado Massaki Sonomia, de 64, também não viu o bloqueio com bons olhos. "Infelizmente, é uma ação que não ajuda muito. O que vai solucionar o problema do trânsito é a ampliação da malha viária e a melhoria do transporte público", opinou.
Nem todos, contudo, avaliaram a mobilização desta maneira. Para a professora Mônia Uhdre, de 42, ter um dia com parte da cidade sem uso do carro é uma forma de conscientizar a população sobre a necessidade de desafogar o trânsito. "Temos de ter mais alternativas, como ciclovias, para que as pessoas possam deixar de usar o carro como transporte. Se isso não mudar, logo estaremos fazendo rodízio", disse.
Entre a criançada, a reação era só de alegria. Além de jogos educativos, os estudantes puderam conhecer um simulador que demonstra a importância do uso do cinto de segurança em colisões. O aluno Jonathas Gomes Morato, de 10 anos, ficou surpreso com a demonstração na cadeira de impulsão. "Se estivesse sem cinto, eu seria jogado longe", observou. A regra agora, enfatizou ele, é usar sempre o dispositivo.
Apesar de não ter uma estimativa quanto à quantidade de veículos que deixaram de circular no entorno da Catedral, a CMTU avaliava a iniciativa como bem sucedida. "Não tivemos tumulto, as pessoas se conscientizaram e buscaram rotas alternativas aos pontos fechados. Vimos a região da Catedral sob outro ângulo, até mesmo com a diminuição do ritmo que é quando se tem carros circulando pela área. É uma oportunidade para se repensar o nosso dia a dia, na possibilidade de usarmos outras formas de deslocamento, como os próprios ônibus", definiu o coordenador de Educação no Trânsito da companhia, Carlos Eduardo Ribeiro.
Hoje, dentro da programação da Semana Nacional do Trânsito, haverá fiscalização do uso da faixa de pedestres no centro, flashmobs com o Balezinho, cursos de direção defensiva para motociclistas e blitz noturna.