Pedestres não respeitam sinalização
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quinta-feira, 15 de agosto de 2002
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba No ano passado, aconteceram em Curitiba 25.110 acidentes de trânsito, sendo 1.234 o correspondente a 6% a atropelamentos. O mais grave nestes números é a quantidade de mortes causadas pelos atropelamentos. No total, os acidentes resultaram em 164 mortes, de acordo com o Siate do Corpo de Bombeiros. Destas, quase a metade foi por atropelamento.
Os dados são ainda mais críticos se levarmos em conta que a maioria dos atropelamentos fatais ocorreu em ruas dentro da cidade. Segundo dados do Batalhão de Trânsito (BPTran), Curitiba registra em média 100 ocorrências deste tipo. A Avenida Marechal Floriano é a campeã, tendo registrado nos primeiros seis meses deste ano 42 atropelamentos, contra 22 no mesmo período de 2001. Em segundo lugar vem a Avenida das Torres, com 34 casos este ano e, em terceiro, a Avenida Visconde de Guarapuava, com 26 registros.
''O problema é que 40% dos atropelamentos acabam em morte. Ou seja, a cada dez pessoas atropeladas, quatro morrem, duas ficam com lesões graves e quatro se salvam'', afirmou o vereador Marcelo Almeida (PMDB), que encerrou, ontem, com o tema Travessias de Curitiba, uma série de nove Encontros Municipais de Segurança no Trânsito, organizados por seu gabinete este ano. As conclusões destes encontros, segundo Almeida, serão concentradas em um documento e entregues pelo vereador e representantes da sociedade civil ao prefeito Cassio Taniguchi (PFL), no dia 25 de setembro.
Para o consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em Planejamento, Engenharia de Tráfego e Transportes, Philiph Gold, que participou dos debates, os cruzamentos de Curitiba não oferecem segurança para pedestres. ''O pedestre não respeita a sinalização, mas o caso é que a sinalização do jeito que está não merece ser respeitada'', alertou. Isso acontece porque na maioria das vezes, o pedestre não tem informações suficientes para saber onde atravessar, de qual direção vêm os veículos e qual o melhor momento de cruzar as ruas. ''Essas são as três regras básicas para garantir a segurança dos transeuntes'', disse.
Em Curitiba, o descaso e pouca preocupação dos condutores com os pedestres somam-se à imprudência dos próprios transeuntes que desrespeitam a sinalização horizontal, atravessando em qualquer ponto das ruas. O resultado é que cerca de 80% dos atropelamentos acontecem fora das áreas de cruzamentos. Segundo José Álvaro Tardowsky, da Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran), 75% dos acidentes acontecem por falha humana, seja por distração, pedestres que não conseguem ser vistos ou motoristas em alta velocidade.
A prefeitura, segundo ele, tem feito várias campanhas e investimentos para reduzir esses números. ''Este ano vamos conseguir reduzir um pouco os acidentes, mas o número de atropelamentos ainda vai ficar maior do que em 2001'', lamentou. Em 1976, segundo ele, 27% dos acidentes de trânsito em Curitiba foram atropelamentos. De 1997 a 2000 o índice estabilizou em 6%, caiu para 5% no ano passado, mas deve voltar ao patamar de 6% este ano.


