Pedestres ignoram passarela e se arriscam na avenida
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de abril de 2003
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
''Para eu ser atropelado ali só se chegar a minha hora mesmo.'' A declaração é de David Jones, funcionário de um posto de combustíveis vizinho à passarela para pedestres da Avenida Brasília, na Vila Yara (zona leste). E é justamente essa certeza de que as coisas ruins não acontecem com a gente que vem fazendo vítimas de atropelamento em pontos onde a simples utilização da passarela evitaria o acidente. Nos últimos 10 dias, duas pessoas morreram atropeladas na Avenida Tiradentes (zona oeste), no entrocamento com a BR-369, onde existe uma passarela.
É fácil flagrar pedestres atravessando as avenidas correndo. A reportagem ficou cerca de 20 minutos na Vila Yara e ninguém usou a passarela, construída há cerca de três anos, após protestos de moradores por causa de constantes atropelamentos. Maicon de Assis, 14 anos, passou por um buraco feito na cerca, erguida justamente para evitar que as pessoas atravessem a via fora da passarela. ''É que estou com pressa'', justificou, após cruzar a pista com uma bicicleta. O motorista Pedro Alaor, 51, também não utilizou a passsarela. ''Foi só essa vez, é que ela é muito comprida'', disse.
Para o sorveteiro Erotides Teixeira, 62, atravessar a Avenida Brasília com seu carrinho já virou rotina. ''Não tenho medo, já me acostumei porque passo todo dia aqui'', afirmou. ''Quem utiliza a passarela são as crianças de uma escola aqui perto'', informou David Jones.
Já na Avenida Tiradentes, é mais comum ver pessoas utilizando a passarela. Os irmãos Ruan e Angelito Guillen Pons, 19 e 18 anos respectivamente, moram próximo ao local. ''A construção da passarela facilitou muito'', lembrou Angelito. E eles atestaram: ''É tranquilo atravessar a passarela, é pura preguiça das pessoas''.
Emerson Oliveira, 28 anos, passou no lugar pela primeira vez. ''Fiquei sabendo que morreu uma senhora aqui e como não estou com pressa preferi usar a passarela'', afirmou. ''Vai acontecer mais acidentes'', previu o taxista José Bueno, 47, que trabalha nas proximidades. Para ele, o problema está na consciência das pessoas.
Essa visão é compartilhada pelo diretor de operações da Econorte, José Luiz Rivert. A empresa é responsável pela construção de quatro passarelas. ''Elas foram construídas justamente para evitar atropelamentos mas as pessoas são imprudentes'', apontou. ''Por causa de três metros, as pessoas fazem a loucura de atravessar as avenidas pela pista onde tem muito movimento''.
Para o gerente de fiscalização de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grrotti Júnior, a cultura e a questão da segurança dificultam o uso das passarelas. ''Infelizmente, passarela é objeto de enfeite em Londrina.''


