Pedestres evitam passarelas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
As passarelas construídas para a segurança dos pedestres que passam diariamente pelas PR-445 e BR-369, no perímetro urbano em Londrina, são rejeitadas pela maioria. Após a reportagem da FOLHA verificar que muitas pessoas em Cambé (Norte) continuam se arriscando pela linha férrea, mesmo com a recente inauguração da trincheira (conforme reportagem publicada na quarta-feira), foi a vez checar a situação nas duas passarelas em Londrina.
Durante 20 minutos em que a equipe esteve na passarela da PR-445, na saída para Curitiba (Zona Sul), três pedestres atravessaram pela rodovia e nenhum pela passarela. ''É mais perigoso, mas não tem jeito de andar pela passarela. Lá em cima está cheio de fezes, bitucas de cigarro, além de ser toda de concreto. Não dá para enxergar se tem alguém escondido. Prefiro correr o risco do que passar por lá'', reclama Laide da Silva, ao confessar que atravessa a via no final da cerca, a poucos metros da passarela.
O comerciante André Torres, presencia essa cena diariamente. De acordo com ele, ''quase ninguém atravessa por lá. Enquanto não tiver uma segurança e fiscalização na passarela, dificilmente alguém irá se arriscar. Tem muito usuário de droga que fica por ali'', afirma.
As reclamações não são diferentes em outro ponto da cidade, na BR-369, na Vila Yara (Zona Leste). Durante o dia, muitas crianças aproveitam a altura da passarela para soltar pipas. O problema é que para buscar as pipas que caem no chão, elas atravessam a rodovia pelo buraco existente no cercado, muitas vezes aberto pelos próprios pedestres. ''A Econorte (concessionária responsável pelo local) vem sempre fazer a manutenção da cerca, mas não adianta. Dias depois, as pessoas dão um jeito de atravessá-la'', conta o frentista Devanir Pires, que trabalha em um posto ao lado da passarela.
A própria moradora do bairro, Ana Paula Pereira, confessa que só utiliza a passarela quando está acompanhada do filho de dois anos. ''Quando estou sozinha, vou pela rodovia. É mais rápido'', justifica.
Acostumado com o trecho da rodovia, por onde passa quatro vezes ao dia, o motorista Sérgio Barbirato revela que o fluxo de pessoas se arriscando pela via é imenso. ''Sempre fico mais atento ao passar por aqui.''
Conservação
O subtenente Wanderley Veríssimo, da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), enfatiza a necessidade de se utilizar as passarelas. ''À noite, o pedestre não consegue dimensionar a velocidade em que o veículo está e o motorista não visualiza o pedestre na via. Além disso, o trecho em pista dupla favorece ao condutor, dirigir em alta velocidade'', diz.
Apesar da periculosidade, a PRE não registrou nenhum atropelamento neste ano nas proximidades da passarela instalada na PR-445, onde o fluxo de veículos por dia ultrapassa 80 mil. Já a Polícia Rodoviária Federal, responsável pelo trecho citado da BR-369, só poderia fornecer dados em um prazo mínimo de 24 horas.
De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) regional, a passarela da PR-445 foi construída pela prefeitura, que fica responsável pela manutenção do local. A reportagem procurou as assessorias da prefeitura e da Concessionária Econorte (para falar sobre a passarela na Vila Yara), mas não houve retorno até o fechamento da edição.


