O semáforo abre e o cidadão avança, confiante. Corre um, dois, três segundos. Quando ainda passa pelo meio da rua, o sinal, ameaçador, começa a piscar. Antes do quinto segundo, fim de prova: o semáforo - exclusivo para o pedestre - já fechou. Ele tem que concluir o percurso com um pulo - ou, se preferir, um salto à distância. Os carros, impacientes, já deram a largada e estão próximos.
Embora pareça absurdo, é exatamente esta situação que o pedestre encontra quando chega na esquina das Ruas Piauí com João Cândido, área central de Londrina. O semáforo de pedestre existe, funciona direitinho, mas só dá míseros cinco segundos para que a pessoa possa atravessar a via saindo pela Piauí, no sentido Higienópolis.
Onde não há o semáforo de pedestre, o drama é ainda maior. O entroncamento das Ruas Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva, Paraíba e Avenida Higienópolis é exemplar: se o cidadão chega pela Quintino Bocaiúva para atravessar a Benjamin Constant, sentido bairro-centro, e tem carros parados aguardando o sinal verde, sobram as dúvidas: ‘‘E se o sinal abrir quando eu estiver no meio da rua? Será que os motoristas vão pacientemente me esperar passar? Ou será que vou ficar feito um coitado sambando entre uma fileira e outra de carros, disputando na fumaça uma brecha para alcançar o outro lado da rua?’’
Ser pedestre em Londrina é também sofrer de torcicolo. É só parar e olhar as pessoas que seguem pela Rio de Janeiro tentando atravessar a rua Piauí, sentido Catedral, bem em frente à Folha, que dá para entender. O corpo do cidadão avança, com passos largos, para frente; ao mesmo tempo, o pescoço torce para esquerda, enquanto os olhos permanecem em alerta, esperando alguma surpresa. De uma hora para outra, algum automóvel pode entrar pela Piauí, rápido. Nestas horas, o passo firme vira correria, deixando ainda mais esquisita a figura que apenas quer atravessar a rua.
Outras situações não menos difíceis para o pedestre brotam em cada esquina. Na Rua Mato Grosso, por exemplo, a prefeitura alterou o sentido e eliminou o estacionamento em um dos lados da via. O resultado foi o esperado: o fluxo de veículos melhorou e não se vê mais congestionamentos. Mas rendeu um efeito colateral: a velocidade dos carros aumentou na rua, crescendo também os riscos para os pedestres.
Problema semelhante é observado em outros pontos da Cidade, como as avenidas 10 de Dezembro e Leste-Oeste. Muitas vezes, para atravessar a rua, o pedestre tem que confiar na própria sorte ou em outra coisa abstrada. Ou, como dizem alguns: ‘‘É um Pai Nosso antes e um carreirão depois. Aí seja o que Deus quiser!’’.
Mas há também o outro lado. Nem sempre o pedestre respeita a sinalização. Um exemplo: no cruzamento do Calçadão com a Avenida São Paulo, próximo ao Banco do Brasil, quem sofre é o motorista. Os pedestres apressados se esquecem de observar o semáforo e, mesmo quando o sinal está aberto para os veículos motorizados, se lançam à frente dos carros que normalmente reduzem a velocidade naquele trecho. Em outros pontos da cidade - como diante da Catedral -, as faixas de segurança são muitas vezes desprezadas pelos pedestres, que se arriscam em travessias perigosas.

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