''No trânsito, o comportamento é tudo. As placas e sinais são apenas símbolos. A adesão às regras é cultural e se dá pela educação. O brasileiro não tem muito essa história de obedecer à sinalização, mas dá para mudar'', acredita o diretor de Trânsito da Secretaria dos Transportes (Setran) de Maringá, Luis Riogi Miura.
Ex-diretor do Detran de Brasília e psicólogo, Miura especializou-se na implantação de projetos de valorização das faixas de segurança e circulação dos pedestres. Seu trabalho mais conhecido foi a coordenação da campanha ''Vida no Trânsito'', no Distrito Federal, que reduziu o índice de 900 para 500 mortes por ano. Brasília é até hoje referência nacional em respeito ao pedestre.
Na semana passada, a convite da Folha, Miura visitou pontos críticos em diversas regiões de Londrina. ''Os dados estatísticos indicam que o pedestre londrinense está totalmente desprotegido'', avaliou. Ele diz que a sinalização no Centro não é ruim: ''O que falta são ações que atinjam o comportamento do motorista e pedestre'', diz. ''Os condutores param até para o cachorrinho, mas não para os pedestres. É uma inversão de valores'', compara.
Miura acredita que há uma relação de causa e efeito entre o desrespeito às faixas de segurança pelos motoristas e seu descrédito com os pedestres. ''O pedestre está a dez metros da faixa e vê que os carros não respeitam a sinalização. Então, ele pensa: tanto faz passar pela faixa ou não'', explica. ''Por outro lado, quando os condutores respeitam a sinalização, os pedestres naturalmente começam a utilizar mais as faixas, porque elas passam a representar locais mais seguros para a travessia.''
O diretor de Trânsito de Maringá afirma que já passou da hora de Londrina instalar controladores eletrônicos de velocidade nas vias mais rápidas. ''A PM e os agentes de trânsito não dão conta de controlar a velocidade na cidade toda. Se não lançarmos mão da tecnologia para auxiliar a fiscalização, não dá''. Miura se disse assustado também com a alta velocidade dos ônibus do transporte coletivo na cidade. (F.C.)

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