O espaço para pedestres está ficando cada vez mais restrito à certa altura da Vila Nova, na Área Central de Londrina. Ontem, ao checar a reclamação de um morador, sobre entulhos de construção que tomaram a calçada na esquina das ruas Araguaia e Itajaí, a reportagem da Folha encontrou, no mesmo quarteirão, outro extenso trecho que obriga os transeuntes a andar ao lado do meio-fio.
A primeira reclamação partiu do representante comercial Osmar Batista de Souza, 50, residente há 20 anos na Rua Itajaí. Segundo ele, há dois meses ficou impossível transitar pela calçada ao lado da casa dele, no cruzamento com a movimentada Rua Araguaia, porque o local está cheio de terra, tijolos e pedaços de árvore. O entulho é proveniente de uma obra em andamento.
''Não acredito que precisem causar tanto transtorno para fazer uma construção. Se fosse um dia, até uma semana, tudo bem. Mas deixar as pessoas sem calçada durante meses é um desrespeito'', protestou Souza. O morador ressaltou que um grande número de pessoas tem de passar diariamente por aquele ponto para chegar ao trabalho ou a escolas próximas, como o Colégio Estadual Nilo Peçanha.
Patrícia Silva Moraes, 35, proprietária de uma pré-escola na Rua Itajaí, lembrou que os pais de alunos reclamavam muito da sujeira causada pelas obras na esquina, mas diz que agora a principal preocupação é com o risco de atropelamento. ''As pessoas têm que desviar do entulho e andar na rua. Acho que poderiam usar uma caçamba para acabar com o problema'', sugeriu. Para a professora Terezinha Diório da Silva, 54, falta fiscalização municipal. ''Pagamos vários impostos e esperamos que a prefeitura fique de olho nesses problemas'', apontou.
Em frente à escola, a utilização da calçada também é inviável. Uma grande área cercada por tapumes está abandonada e a calçada foi tomada pelo mato. Segundo os moradores, o problema já dura 10 anos. Eles não souberam dizem quem é o proprietário da data.
A dona do imóvel em construção, Silvania Guerra Vicentini, garantiu que já está tomando providências para limpar a calçada e pediu compreensão aos vizinhos. ''Um pouco de transtorno a gente acaba tendo mesmo, senão não faz o que tem de fazer. Quando o terreno não era usado, o vizinho reclamava do mesmo jeito, dizia que abrigava mendigos'', observou. Silvania disse que está tentando agilizar ao máximo a obra e que espera sua conclusão até dezembro.
O diretor de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior, lembrou que o Código de Posturas do Município proíbe a utilização de calçadas para armazenar entulhos de obras, sendo que o desrespeito à norma pode render multa ao proprietário. Grotti afirmou que um funcionário da companhia iria verificar o problema na Vila Nova.

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