Pedestre enfrenta uma guerra com veículos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de julho de 2001
Telma Elorza De Londrina 
O pedestre nunca vai conseguir competir com um veículo e sempre será a parte mais fraca. É sempre a vítima. Por isso, é sua obrigação tentar se proteger. A afirmação do soldado Pedro Tanan Boaventura, da Companhia de Trânsito (Ciatran) do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina, embora pareça óbvia, reflete a atual realidade do trânsito nas grandes cidades: uma guerra entre veículos e pedestres está instaurada. Os números recentes comprovam: de janeiro a junho deste ano, aconteceram 2.684 acidentes no perímetro urbano de Londrina, com 1.238 feridos e 32 vítimas fatais. Só atropelamentos foram registrados 150, com 11 mortes.
O soldado Tanan, 53 anos, trabalha há 18 fazendo palestras e orientando crianças sobre Educação no Trânsito. Junto com ele atuam também os soldados José Cláudio Gonçales, 32 anos, e Paulo Rodrigo Gazzola Monteiro, 21 anos. Os três são responsáveis por palestras de orientação a pedestres, em empresas, entidades e colégios.
Eles são categóricos em afirmar que a principal causa de acidentes é a imprudência de motoristas e pedestres. A maioria dos acidentes acontece porque as regras de trânsito não são respeitadas. Excesso de velocidade e o desrespeito à sinalização são o mais comuns, afirma Gonçales. No caso do pedestre junta-se a imprudência à negligência. O pedestre tem que estar atento, tem que prestar atenção não só na sinalização como nos carros. Tem que ver e ser visto pelo motorista na hora de atravessar as ruas, explica.
Segundo Tanan, não há segredos para se evitar acidentes, principalmente atropelamentos. Só a educação pode reduzir o número de acidentes. E é isso que a gente procura fazer com as crianças, tentar protegê-las agora e alertá-las para que no futuro sejam motoristas conscientes, afirma. Já para os adultos, os soldados recomendam que, junto com uma educação mais incisiva, haja mais rigor nas punições. Nas salas em que dou palestras, muitos desconhecem coisas básicas do Código Nacional de Trânsito porque nunca se interessaram em conhecê-lo, comenta Gonçales.
Para Gazzola, os motoristas londrinenses são estressados. Parece que o pessoal entra no carro e se transforma. O trânsito em Londrina, principalmente no centro, acaba complicando as coisas, segundo Tanan. Com ruas estreitas, sem vagas de estacionamento e sem fluidez de trânsito, as pessoas vão ficando irritadas. E a irritação é um dos primeiros passos para a perda da concentração, justifica.
É justamente a área central de Londrina que os soldados usam para fazer uma comparação assustadora. Apesar de tamanhos diferentes, Londrina apresenta proporcionalmente os mesmos problemas de trânsito que São Paulo tem, diz Gonçales, apoiado pelos outros dois.


