Em muitas ruas do centro de Ponta Grossa é possível encontrar de tudo nas calçadas. São placas com anúncios, tapumes, entulhos de construção, latões e cestas de lixo e até floreiras. Nestes locais, só não é possível encontrar a figura que justifica a existência das calçadas: o pedestre. O desrespeito é tanto que as pessoas chegam a pôr em risco a própria vida, tendo que andar pelas ruas movimentadas do centro, dividindo o espaço com carros, motocicletas e bicicletas.
Como muitas vias são antigas, as calçadas são estreitas e a existência desses obstáculos dificulta ainda mais a vida do transeunte. Na rua Sant’Ana, por exemplo, o pedestre perde seu espaço para os postes de iluminação que ocupam mais da metade da calçada. Na Comendador Miró, o problema é o entulho de construção, que torna impossível a passagem de pessoas pela calçada.
Quando chega o fim da tarde, muda o cenário, mas o problema continua o mesmo. Nesse horário, os obstáculos maiores passam a ser os vendedores ambulantes de alimentos e seus veículos que servem de lanchonete. Sem cerimônia, eles estacionam, muitas vezes em cima das calçadas, e vão distribuindo cadeiras e mesinhas para dar mais conforto aos seus clientes. O pedestre que não é cliente, bem, esse fica com a opção de transitar pela rua para desviar as lanchonetes improvisadas.
E os problemas não param por aí. Na entrada das garagens de alguns prédios, a calçada foi transformada em rampa para facilitar o acesso dos veículos. O pedestre mais desatento leva, no mínimo, um susto ao sentir o desnível do calçamento. Para os portadores de necessidades especiais, que dependem de muletas ou cadeiras de rodas, a passagem é inviável. A opção, novamente, passa a ser a rua.
Todas essas situações ferem o artigo 44 do código de posturas do município, que diz que ‘‘é proibido embargar ou impedir o livre trânsito de pedestres’’. A prefeitura já iniciou uma fiscalização. Desde o início do ano foram emitidas 275 notificações e sete autos de infração por essas irregularidades. Mas, por enquanto, a ação não inibiu os infratores e o prejuízo continua sendo do pedestre.

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