Pedagogia é contra a mudança no magistério
Giovani Ferreira
De Curitiba
O decreto do governo federal que dispõe sobre a formação de professores para a educação básica está gerando protestos entre educadores dos diversos graus de ensino. Depois da Associação dos Professores do Paraná (APPSindicato), que está protestando contra a extinção do magistério, agora é a vez dos docentes de graduação manifestarem-se contrários ao decreto, que na teoria reduz a abrangência da formação do curso de Pedagogia.
A diretora do Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Acacia Zeneida Kuenzer, condenou ontem o que ela definiu como medida autoritária do governo federal, que através do decreto elimina das funções do pedagogo a possibilidade de ministrar aulas na educação infantil e nas turmas de 1ª a 4ª do primário. Na avaliação de Zeneida, o governo está impondo um novo sistema de formação sem discutir e ouvir os setores envolvidos.
Pela nova determinação o curso de Pedagogia passa a formar somente o pedagogo, deixando de lado a habilitação de professor. A formação de professor seria feita por um modelo ainda a ser instituído, definido como normal superior e normal sequencial, que na verdade seria uma licenciatura em educação. O currículo e tempo de duração dessas novas modalidades, que seriam garantidas como de graduação, ainda não estão definidos.
No entanto, pelo menos para a UFPR, as determinações do decreto não serão colocadas em prática. De acordo com Acacia, as universidades têm autonomia para garantir a elaboração e execução de seus currículos. Disse, que a UFPR irá continuar formando pedagogos especialistas (inspetores, diretores e administradores) e professores, independente da determinação do Conselho Nacional de Educação, órgão vinculado ao Ministério da Educação que normatiza as mudanças no sistema de ensino.
A direção do Setor de Educação da UFPR reconhece que é preciso reavaliar o currículo de Pedagogia no que diz respeito a formação de professores. Acacia explicou que essa reformulação já vem sendo realizada antes da edição do decreto. Segundo Acacia, as mudanças curriculares serão para garantir mais qualidade ao curso de Pedagogia, reforçando a formação docente do pedagogo.
Rose Meri Trojan, coordenadora do Fórum Paranaense em Defesa da Escola Pública, também repudia o texto do decreto, lembrando que se trata de uma questão econômica, onde o governo atende a exigências de mecanismos financeiros internacionais. Outra questão grave apontada por Rose Meri, é o fato de as determinações valerem apenas para a escola pública. O governo fecha a possibilidade da formação de professores para a educação básica na rede pública, mas abre na particular.





