Josoé de CarvalhoCaminho alternativoDesvio utilizado por motoristas para evitar a praça de pedágio em Jataizinho; prefeito de Cambará diz que vai construir estrada para desviar da taxaA Econorte - concessionária responsável pelo Lote 1 do Anel de Integração - divulgou ontem o balanço das primeiras 24 horas de cobrança de pedágio, iniciada no domingo. Nas três praças de sua jurisdição - Jataizinho, Cambará e Sertaneja -, foram arrecadados R$ 61.668,40. Passaram nos postos 11.299 veículos e 140 caminhões ficaram isentos por apresentarem as notas fiscais de transporte da safra agrícola.
No primeiro dia de cobrança, alguns inconvenientes foram registrados. Na praça de Cambará (36 km a oeste de Jacarezinho), o motorista de caminhão Elias Dias de Souza, 25 anos, alegou não ter R$ 15,00 para passar pelo pedágio, por desconhecer o início da cobrança. Os funcionários da Econorte não permitiram a isenção da taxa e o motorista foi obrigado a deixar uma corrente de ouro como garantia da dívida. O chefe de pedágio, Plínio Alcântara Filho, emitiu um recibo de depósito de mercadoria, ficando como fiel depositária da jóia até que Souza pague a tarifa.
Na praça de Jataizinho (25 km a leste de Londrina), muitos motoristas descobriram uma forma de evitar a cobrança: trafegar por duas estradas municipais, de aproximadamente três quilômetros cada uma, e que passam ao lado da praça de pedágio. As estradas da Serra Morena e da Água Branca, utilizadas somente por agricultores da região, ganharam movimento a partir de domingo. Cerca de 500 veículos trafegaram por ali somente no domingo, segundo moradores.
A estrada mais conhecida é a Água Branca, com 3.100 metros (sendo 1.100 metros em estrada de chão e 2 mil metros em pedra irregular) e que liga a BR-369, a cerca de 500 metros do pedágio, à PR-090, após o trevo para Assaí. Quem procura este desvio, aumenta em cinco minutos o tempo de viagem. A estrada é estreita e oferece alguns perigos ao motorista mais desatento, principalmente em duas curvas fechadas.
O empresário no ramo de confecção de Rio Bom, João Batista Andrade, 36 anos, descobriu por acaso o desvio. Para ele, é muito bom haver uma estrada secundária desviando do pedágio. ‘‘Paguei o pedágio para ir a Cornélio Procópio. Na volta, fiquei sabendo do desvio num restaurante. Acho isso muito bom para nós que usamos a estrada frequentemente’’, comentou.
O agricultor Carlos Hoshino, 38 anos, que tem propriedade na Água Branca, afirmou que o inconveniente no desvio é a saída para a BR-369, porque a Econorte colocou tachões no meio da pista, reforçando a sinalização de ultrapassagem proibida. ‘‘Quem vai em direção a Jataizinho tem que passar por cima destes tachões, o que é um absurdo, principalmente para nós agricultores. A Econorte tem que tirar este obstáculo da풒, ressaltou.
Outro inconveniente, prevê Hoshino, será nos dias de chuva. Ele acredita que a estrada municipal, se não receber atenção da prefeitura, vai se degradar. Além de veículos de passeio, muitos caminhões e carretas carregadas estão preferindo fazer este percurso a pagar as tarifas cobradas.
É o caso do caminhoneiro Rosalvo Paulo Venâncio, 25 anos, que faz fretes de pinus de Assaí para Londrina constantemente. Ele diz que prefere perder tempo no desvio a pagar R$ 40,00 por frete. ‘‘Se tiver que pagar todas as vezes, serei obrigado a parar de trabalhar, pois meu lucro fica no pedágio’’, afirmou.
A assessoria de imprensa da Econorte informou ontem à tarde que a empresa está estudando uma alternativa para evitar que os usuários utilizem os dois desvios na região, mas não há prazo para adoção de qualquer medida.

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