Alexandre Sanches
De Londrina
O Norte do Paraná tem sido palco de vários protestos e confrontos, desde o início da cobrança de pedágio nas rodovias do Estado, em junho do ano passado. Jataizinho foi a cidade que mais se destacou, devido às manifestações realizadas por políticos, produtores rurais e outros moradores da região, que agora são obrigados a passar pela praça de cobrança instalada na BR-369. Quem mais reclama desta praça são os agricultores com propriedade do outro lado das cancelas e os moradores das cidades da região de Assaí, que fazem quase toda a viagem pela PR-090 e utilizam pouco mais de três quilômetros da BR-369, até Jataizinho.
No primeiro protesto, logo no início de operação da praça de pedágio, os manifestantes divulgaram amplamente um desvio pela estrada rural da Água Branca, cuja entrada está a aproximadamente um quilômetros das instalações da Econorte. Para sair na PR-090, próximo do trevo com a rodovia pedagiada, o motorista era obrigado a entrar numa estrada no interior de uma propriedade particular, provocando problemas para o proprietário. Por ser estreita, obrigava muitos motoristas a trafegar em cima das culturas de milho e trigo para não bater de frente com outros veículos.
A prefeitura, pressionada pela empresa e pelo agricultor, fechou o acesso à PR-090, colocando caminhões de terra na entrada. Enquanto isso, na estrada da Água Branca, do outro lado da rodovia, os motoristas transitavam tranquilamente, pagando um pedágio menor para o proprietário de uma estrada particular. Os carros desembocavam na BR-369 justamente no trevo com a PR-090, o que colocava em risco a vida de quem trafegava pelo local.
Houve acordo entre o proprietário e a Econorte e o acesso foi fechado. Mas os motoristas continuavam a transitar pelo local, saindo mais à frente. Nesta estrada, dois acidentes, envolvendo caminhões em pontes estreitas, acabou gerando polêmica sobre a sua utilização. A saída da Econorte foi fechar o acesso à BR-369, este mais distante da praça de pedágio. Mas os protestos, principalmente dos vereadores, foi grande.
A Econorte, por sua vez, assegurava que os moradores de Jataizinho e agricultores que comprovassem usar sempre a estrada, ao fazer um cadastro com a empresa, poderiam gozar de um desconto na tarifa. Os manifestantes, no entanto, queriam a isenção ou o fim da praça de pedágio no município.
O último protesto aconteceu em março deste ano, quando a Econorte decidiu instalar uma espécie de guard-rail no final da estrada rural que desembocava no trevo. Os manifestantes - liderados por vereadores de Jataizinho - impediram a empresa de colocar o obstáculo e, com o uso de uma máquina particular, reabriram o acesso. Só após a Polícia Rodoviária intervir e alertar os manifestantes de que eles seriam responsabilizados pelos acidentes que viessem a ocorrer no local, pelo uso indevido da estrada, é que o protesto acabou.Jataizinho é palco principal; alguns moradores se queixam que pagam para utilizar cerca de três quilômetros da BR-369
Dorico da SilvaSEM SAÍDAPróximo à praça da BR-369 na região Norte do Estado, estradas rurais eram usadas por motoristas que não queriam pagar pedágio

mockup