Pedágio pode ter aumento em setembro
Israel Reinstein
De Curitiba
O impasse sobre o reajuste do pedágio no Paraná deve continuar até setembro. Na avaliação da Secretaria de Estado dos Transportes, não há clima para aumentar as tarifas, enquanto os caminhoneiros estiverem reivindicando redução do que é pago nas praças em todo o Brasil. Nesta terça-feira, entidades que representam caminhoneiros autônomos brasileiros estarão reunidas com uma comissão do Ministério dos Transportes para discutir a crise no setor.
Os caminhoneiros querem, além do aumento de combustível e valor de frete, pedir ao governo federal que mantenha a suspensão de qualquer reajuste de pedágio nas estradas já concessionadas pelos estados. A intenção é estabelecer um clima ideal para chegar a uma solução rápida para a categoria que está inquieta, diz o diretor do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos (Sindicam), Diumar Bueno.
No entanto, esta proposta é rechaçada pelas concessionárias, que alegam estar entrando no vermelho, por causa dos financiamentos e aumentos dos custos operacionais. Apenas a matéria básica de recuperação do asfalto dobrou de preço, afirma o diretor regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias, Washington Lemos Filho.
Lemos Filho informa que as concessionárias não teriam mais condições de sustentar os preços atuais. Em julho deste ano, estava previsto a reposição da inflação, que seria em torno de 8,8%. O governo não permitiu este aumento, diz. O diretor alega que no mesmo período as tarifas públicas subiram um valor muito maior, com os combustíveis atingindo a marca de 40%. Teve também uma alta na tributação, gerada pela CPMF, de 7%, argumenta.
Para o diretor da ABCR, o governo estadual precisa definir logo qual decisão vai tomar, para que as concessionárias saiam do vermelho. No entanto, o secretário dos Transportes, Heinz Herwig, considera que uma resposta possa ser dada em setembro, quando as negociações com as concessionárias devem ser retomadas. Para Herwig, as conversações entre as partes não estão suspensas, apenas foram interrompidas pela pressão externa.
Washington Filho entende que mesmo que saia uma solução até o mês estabelecido pelo secretário, será preciso que o governo estadual crie, ao molde da proposta federal, uma agência estadual de transportes, para solucionar as pendências que ficarem. Uma delas seria a forma de atuação das transportadoras que deixam para os caminhoneiros os encargos dos fretes. Qual é o valor agregado de um frete de esterco de galinha, cujo o frete é baixo e o caminhoneiro recebe muito pouco pelo transporte?, pergunta-se. Lemos defende que alguns itens poderiam ser transportados por outros meios, como a navegação e a ferrovia.





