Pedágio já rendeu R$ 250 mil para os invasores de parque
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de julho de 1998
Valmir Denardin 
A cobrança ilegal de pedágio na Estrada do Colono, que corta o Parque Nacional do Iguaçu e está invadida há seis meses por moradores e políticos das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná, já rendeu R$ 253.720,00. O valor foi calculado pela Folha a partir de números oficiais, fornecidos pela Associação Amigos do Parque, uma das duas entidades que coordenam a ocupação.
A Estrada do Colono tem 17,6 quilômetros de extensão cortando o parque e liga os municípios de Serranópolis do Iguaçu (Oeste do Estado) a Capanema (Sudoeste). Com o seu fechamento, determinado pela Justiça Federal em setembro de 1986, a distância entre as duas regiões aumentou em 120 quilômetros. A interdição da estrada foi uma condição da Unesco (órgão das Nações Unidas para educação e cultura) para conceder ao Parque Nacional do Iguaçu o título de Patrimônio Natural da Humanidade.
Alegando que a falta de ligação provocou a estagnação econômica e isolou famílias nos 11 municípios às margens da reserva, moradores das duas regiões invadiram o parque no dia 11 de janeiro. No dia seguinte, eles abriram a estrada ao tráfego, com a cobrança de pedágio. No ano passado, o mesmo grupo ocupou a área de 8 de maio a 1º de julho.
Entre os dias 12 de janeiro e 21 de junho passaram pela Estrada do Colono 49.084 veículos - 46.704 carros de passeio (cujo pedágio custa R$ 5,00), 2.090 caminhões de dois eixos (R$ 8,00) e 290 caminhões de três eixos (R$ 12,00). Esses preços incluem a utilização de uma balsa para cruzar o Rio Iguaçu em Capanema.
O valor cobrado dos carros é 56% superior aos R$ 2,80 cobrados pela concessionária Rodovia das Cataratas em duas praças de pedágio na BR-277.
Estão privatizando uma área federal, que abriga a última reserva de mata subtropical do sul do Brasil, reage Laura de Moura e Costa, de 41 anos, secretária-executiva da União de Entidades Ambientais do Paraná (Uneap), entidade que reúne as cem maiores organizações de defesa do meio ambiente no Estado.
Sabemos que o que estamos fazendo é ilegal, mas é justo e legitimado pela vontade do povo, responde o engenheiro agrônomo Marcos Rogério Pagani, de 34 anos, coordenador da Associação de Integração Comunitária Pró-Reabertura da Estrada do Colono (Aipopec). Mantida pelas prefeituras da região, a Aipopec é o braço jurídico e de luta política pela reabertura da estrada. A Associação Amigos do Parque atua na área operacional.
Segundo Pagani, todo o dinheiro arrecadado nesses seis meses de cobrança do pedágio está sendo empregado na manutenção da estrada e pagamento das 14 pessoas empregadas no sistema de cobrança de pedágio e orientação dos usuários. Outra parte do dinheiro arrecadado é destinada ao pagamento de técnicos para a elaboração de estudos que embasem os argumentos pró-reabertura e consultoria jurídica para a defesa da causa na esfera judicial.
Quinta-feira, a reportagem da Folha percorreu a Estrada do Colono. Com média de 12 metros de largura, a via está toda cascalhada e em bom estado de conservação. Placas ao longo do percurso indicam que é proibido caçar, atear fogo, cortar ou arrancar plantas e jogar lixo na área. Alertam que a velocidade máxima permitida é 60 km/h e que os carros não devem parar no parque.


