Pedágio ilegal rendeu R$ 1,3 mi
Christian RizziPlaca de conscientização na Estrada do Colono e, ao fundo, ônibus com sacoleirosA Estrada do Colono é mantida aberta há dois anos por duas entidades articuladas formadas por moradores e políticos das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná. A Associação de Integração Comunitária Pró-Reabertura da Estrada do Colono (Aipopec), presidida pelo vice-prefeito de Capanema, Carlos Carboni (PT), 34 anos, tem a função de coordenar os aspectos jurídico e político da questão.
A segunda entidade é o Movimento Amigos do Parque. Sua tarefa é operacional. Não existe oficialmente e não tem líderes formais. Mas paga 25 funcionários para cobrar pedágio dos usuários da estrada, operar a balsa que faz a travessia do Rio Iguaçu, recolher o lixo jogado dos veículos e distribuir material educativo estimulando a preservação do parque.
As duas entidades não divulgam números, mas a Folha apurou que, nesses dois anos, já utilizaram a via cerca de 270 mil veículos – numa média de 370 por dia. O valor do pedágio (que dá direito à utilização da balsa) é o mais caro praticado no Paraná. Vai de R$ 5,00 para carros de passeio a R$ 15,00 para caminhões e ônibus. Os invasores já faturaram, no mínimo, cerca de R$ 1,3 milhão. Segundo Carboni, o dinheiro é usado na manutenção da estrada e em trabalhos ecológicos.
O tráfego obedece algumas regras. A estrada, que liga Capanema (Sudoeste do Estado) a Serranópolis do Iguaçu (Oeste) é fechada à noite e nela é proibida a circulação de carretas e veículos com cargas tóxicas, produtos inflamáveis e animais vivos.
Devido à abertura ilegal, a Aipopec enfrenta diversos processos na Justiça. Um deles é da empresa Andreis, que tenta reaver a balsa, que era usada na travessia até 86 e foi ‘‘confiscada’’ pelo movimento em 98. Pela Lei de Crimes Ambientais, quem causa danos a unidade de conservação pode ser condenado a até cinco anos de prisão. O processo que julga a questão central – que em 86 obteve liminar favorável ao fechamento – tramita na 2ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba.
Outra consequência da reabertura forçada é a possível perda do título de Patrimônio Natural da Humanidade obtida em 86 pelo Parque do Iguaçu. A Unesco ameaça cassar o título se a estrada não for novamente fechada em um prazo de dois anos. (V.D.)